Assalto milionário na Alemanha: 3.000 cofres arrombados e até 100 milhões de euros desaparecidos

Dimensão do roubo e a forma meticulosa como foi executado colocaram o caso no centro do debate sobre a segurança bancária no país

Francisco Laranjeira

Um dos assaltos mais audazes da história recente da Alemanha ocorreu no fim de semana imediatamente a seguir ao Natal, quando uma agência do banco Sparkasse, na cidade de Gelsenkirchen, foi alvo de uma operação criminosa que poderá ter provocado perdas até 100 milhões de euros. A dimensão do roubo e a forma meticulosa como foi executado colocaram o caso no centro do debate sobre a segurança bancária no país, segundo o site ’20 Minutos’, que cita informações divulgadas pela ‘BBC’.

Os assaltantes, descritos como profissionais, terão utilizado um berbequim industrial para aceder ao cofre principal da agência. A investigação indica que o grupo entrou através de um parque de estacionamento adjacente, manipulando uma saída de emergência que dava acesso ao edifício. A partir de uma sala de arquivo no subsolo, perfuraram um buraco de cerca de 40 centímetros na parede, criando uma passagem direta para o cofre.



O assalto terá ocorrido entre 27 e 29 de dezembro. Na manhã do dia 27, foi acionado um alarme de incêndio, mas os bombeiros, não encontrando fumo nem danos visíveis, consideraram tratar-se de um falso alerta. Apenas na segunda-feira, dia 29, um novo sinal de alarme levou as equipas de emergência ao local, onde encontraram o cofre completamente devastado.

Segundo o ’20 Minutos’, mais de 3.000 cofres de clientes foram abertos. No interior, estavam guardados documentos, joias, barras de ouro e recordações pessoais. No total, estima-se que mais de meio milhão de objetos tenham sido removidos ou espalhados pelo chão, num cenário descrito como caótico pelas autoridades.

A polícia divulgou imagens das câmaras de segurança que mostram vários homens mascarados e dois veículos com matrículas falsas: um Audi RS6 preto e um Mercedes Citan branco. Até ao momento, não foram efetuadas detenções.

O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, levantou publicamente questões sobre eventuais falhas nos sistemas de segurança, incluindo a possibilidade de ninguém ter ouvido a perfuração ou até a hipótese de conluio interno. O chefe da polícia regional, Tim Frommeyer, classificou o caso como um dos maiores desafios criminais da história do estado.

Entretanto, vários clientes intentaram ações judiciais contra o banco, alegando a perda de bens de elevado valor financeiro e sentimental. Conforme recorda o ’20 Minutos’, citando a revista ‘Der Spiegel’ e a ‘BBC’, o episódio alimentou a perceção de que as garantias de segurança oferecidas pelas instituições bancárias podem não ser tão sólidas como muitos acreditavam.

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