Ortega, Arnault, Quandt, Agnelli: estas são algumas grandes dinastias empresariais que continuam a controlar algumas das maiores empresas da Europa, muitas delas no melhor momento financeiro da sua história. Segundo o jornal espanhol ‘El Expansión’, estas famílias mantêm o poder de decisão nas companhias que fundaram há décadas, assegurando transições geracionais sem abdicar do controlo estratégico.
Grupos como a Inditex e a LVMH atravessam fases de forte desempenho económico, mantendo-se sob influência direta das famílias fundadoras. No caso da Inditex, criada por Amancio Ortega, o fundador supervisionou a sucessão ao nomear a filha, Marta Ortega, como presidente. O grupo, que começou em 1963 com a Confecciones Goa, em A Coruña, e abriu a primeira loja Zara em 1975, conta atualmente com mais de 6.300 lojas em todo o mundo e receitas superiores a 31 mil milhões de euros, com lucros próximos dos 4 mil milhões de euros. Amancio Ortega controla 59,29% da empresa, enquanto a sua filha Sandra detém 6,99%.
Também no setor do luxo, Bernard Arnault consolidou um império em torno da LVMH, depois de ter assumido o controlo da Christian Dior em 1984 e vencido, em 1989, a disputa pela holding que integra marcas como Louis Vuitton e Moët Hennessy. Desde então, o grupo adquiriu nomes como Loewe, Sephora, TAG Heuer e Tiffany. O ‘El Expansión’ destaca que a sucessão já está em curso, com filhos de Arnault a assumirem posições executivas de relevo na estrutura do grupo.
Em Itália, a dinastia Agnelli mantém influência através da Exor, holding com participações em setores industriais, media e moda. Giovanni Agnelli participou na fundação da Fiat em 1899, mas foi Gianni Agnelli, conhecido como ‘L’Avvocato’, quem transformou o grupo num gigante industrial. Hoje, John Elkann lidera a família e esteve à frente da fusão entre a Fiat e a PSA, que deu origem à Stellantis.
No retalho alimentar espanhol, a Mercadona continua sob controlo da família Roig. Fundada em 1977, a empresa ganhou escala sob a liderança de Juan Roig, que introduziu inovações como os códigos de barras em 1982 e centros logísticos automatizados em 1988. Atualmente, o grupo regista um volume de negócios superior a 25 mil milhões de euros, com mais de 1.600 lojas em Espanha e Portugal.
Em França, Françoise Bettencourt Meyers detém 33% da L’Oréal, empresa fundada em 1909 pelo seu avô, Eugène Schueller. Segundo o ‘El Expansión’, a fortuna da herdeira aproxima-se dos 80 mil milhões de dólares (cerca de 73 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual), colocando-a entre as pessoas mais ricas do mundo. A empresa expandiu-se internacionalmente ao longo do século XX, apoiada numa estratégia pioneira de publicidade e aquisições estratégicas.
Na Alemanha, os irmãos Stefan e Susanne Quandt mantêm participações relevantes na BMW, cuja origem remonta à fábrica têxtil de Emil Quandt, fundada em 1883. A empresa quase foi adquirida pela Daimler-Benz em 1959, mas Herbert Quandt conseguiu impedir a venda e relançar o grupo. Hoje, a fortuna conjunta dos herdeiros ultrapassa os 45 mil milhões de euros.
O El Corte Inglés permanece sob influência da família Álvarez. Fundada em 1940, a cadeia consolidou-se sob a liderança de Ramón Areces e, posteriormente, de Isidoro Álvarez. Atualmente, Marta e Cristina Álvarez controlam a empresa através da Cartera de Valores Iasa e da Fundação Ramón Areces, que detém 40% do capital.
No universo do luxo francês, François Pinault construiu um grupo com receitas superiores a 60 mil milhões de euros anuais, após a aquisição da Gucci em 1999 e de marcas como Yves Saint Laurent e Balenciaga. Em 2003, nomeou o filho François-Henri Pinault como sucessor.
A família Benetton, que começou com a produção de camisolas coloridas na década de 1960, gere hoje os seus investimentos através da holding Edizione, criada em 1981. O grupo tem como principal ativo a Atlantia e mantém participações noutras empresas estratégicas.
A Lactalis, terceiro maior produtor mundial de lacticínios, continua nas mãos da família Besnier. Fundada em 1933, a empresa expandiu-se internacionalmente e regista receitas anuais de cerca de 22 mil milhões de euros.
Na Dinamarca, a Lego, criada em 1934 por Ole Kirk Kristiansen, superou dificuldades financeiras no início dos anos 2000 e reforçou a sua posição através de parcerias com grandes franquias cinematográficas. A família Kristiansen mantém influência direta na empresa.
Em França, a família Mulliez controla a Auchan e outras cadeias como Leroy Merlin e Decathlon, através de uma holding familiar criada para financiar a expansão sem recurso a bancos.
Já na Alemanha, Dieter Schwarz transformou o Lidl num dos maiores retalhistas europeus, depois de assumir o controlo do negócio familiar em 1977. A empresa tornou-se uma das principais concorrentes da Aldi.
Por fim, o Grupo Bolloré, com origens em 1822, diversificou-se sob a liderança de Vincent Bolloré, alcançando receitas próximas dos 20 mil milhões de euros anuais. Atualmente, os seus filhos Yannick e Cyrille partilham o controlo do conglomerado.
Segundo o ‘El Expansión’, estas dinastias demonstram que, apesar das transformações económicas e das exigências dos mercados globais, o poder empresarial na Europa continua, em muitos casos, firmemente ancorado nas mesmas famílias que lançaram as bases dos respetivos impérios há várias décadas.














