O coletivo Climáximo convocou uma concentração e assembleia popular esta quarta-feira, no Largo Camões, em Lisboa, às 18h30. O objetivo é denunciar os impactos devastadores da crise climática e a resposta insuficiente do governo face aos danos causados pelas tempestades e cheias que assolaram Portugal nas últimas semanas.
De acordo com o comunicado divulgado, a concentração tem como mote as palavras-chave “Tempestades, cheias, solidariedade e ação”. O grupo denuncia que o governo tem subestimado as consequências da crise climática e ignorado as suas causas, apelando a uma mudança urgente de políticas públicas. “O governo continua a subestimar os impactos devastadores da crise climática, ao mesmo tempo que ignora as suas causas”, afirmam os membros do coletivo.
Nas últimas semanas, tempestades históricas causaram danos avassaladores, e o Climáximo tem estado ativamente envolvido em ações de solidariedade e apoio. O grupo tem feito várias idas a locais devastados como Leiria, Ourém, Ferreira do Zêzere, Alcácer do Sal e Pedrógão Grande, entre outros. Matilde Alvim, porta-voz do coletivo, partilha que a organização tem procurado integrar-se nas equipas de voluntários locais e colaborar com as instituições já no terreno, além de levar material de apoio. A porta-voz destaca ainda a auto-organização das populações afetadas pela crise climática e a onda de solidariedade que envolveu milhares de voluntários.
Em comunicado, Matilde Alvim enfatiza que, apesar da resposta do Estado ser considerada insuficiente, a solidariedade nacional foi um ponto positivo a ser destacado nas últimas semanas. A crise climática, segundo o coletivo, não pode ser deixada para trás, mesmo após a normalização dos fenómenos climáticos. A organização alerta para o risco de a situação ser esquecida pela comunicação social e reivindica a continuidade da discussão pública sobre a crise climática. “Devemos reconhecer o risco de a situação deixar de estar ‘de moda’ na comunicação social e ser remetida ao esquecimento, como acontece, ano após ano, com as populações e territórios arrasados pelos incêndios”, argumentam.
O foco na indústria fóssil e no futuro
Com o objetivo de manter a crise climática no debate público, o Climáximo pretende não só denunciar os impactos imediatos das últimas tempestades e cheias, mas também propor soluções e encontrar maneiras de combater as causas da crise climática, que estão intrinsecamente ligadas ao uso de combustíveis fósseis e à indústria poluente.
“A luta contra a crise climática exige ação política urgente e concreta. A nossa missão é continuar a pressionar para que o governo tome as medidas necessárias e para que as populações não sejam deixadas sozinhas face à devastação”, conclui o comunicado.
O Climáximo promete também dar destaque a planos de apoio para as vítimas, incluindo idas e recolhas de bens, que serão partilhados na assembleia popular.
A concentração de hoje, marcada para as 18h30, será uma manifestação pública de repúdio contra a passividade do governo face aos efeitos das alterações climáticas. O coletivo apela à participação de todos os cidadãos que desejam lutar pela justiça climática e solidariedade social.




