Médio Oriente: República Checa pede demissão de relatora especial da ONU

A República Checa juntou-se hoje a França e Alemanha e pediu a demissão da relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados, Francesa Albanese, por alegadamente ter considerado Israel “um inimigo comum da humanidade”.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 13, 2026
15:24

A República Checa juntou-se hoje a França e Alemanha e pediu a demissão da relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados, Francesa Albanese, por alegadamente ter considerado Israel “um inimigo comum da humanidade”.

“A paciência tem limites. A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, deve demitir-se”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros checo num comunicado citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).



A diplomacia checa descreveu as declarações atribuídas a Albanese como “inaceitáveis e indefensáveis”, e considerou que tal “retórica não contribui para reduzir a tensão” no Médio Oriente.

“Pelo contrário, apenas aumenta as tensões e mina a confiança na imparcialidade da ONU e do seu sistema. Esperamos responsabilidade, profissionalismo e imparcialidade por parte de representantes das Nações Unidas”, acrescentou o ministério.

Após as críticas às declarações no fim de semana num fórum realizado no Qatar, Albanese defendeu que se referia ao sistema que permitiu “o genocídio na Palestina” e não a Israel como país.

“Nunca disse que Israel é o inimigo comum da humanidade. Falei dos crimes de Israel, do ‘apartheid’, do genocídio e condenei como inimigo comum o sistema que não permite levá-lo perante a justiça e pôr fim aos crimes de Israel”, esclareceu.

“O facto de, em vez de travar Israel, a maior parte do mundo o ter armado, lhe ter dado desculpas políticas, refúgio político e apoio económico e financeiro, é um desafio”, afirmou.

Os governos de França e da Alemanha acusaram Albanese de fazer “comentários inapropriados e indignos”, e pediram a sua demissão.

A diplomacia francesa disse que Albanese “não é perita nem independente, mas sim uma ativista política que incita setores do ódio que desvalorizam a causa do povo palestiniano que, no entanto, pretende defender”.

O Governo da Alemanha também criticou Albanese e defendeu que a posição da jurista italiana é insustentável.

“Respeito o sistema dos relatores independentes da ONU. No entanto, a senhora Albanese já se comportou de forma inapropriada em várias ocasiões no passado”, afirmou o chefe de diplomacia, Johann Wadephul.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu que não partilha a linguagem utilizada por Albanese sobre as atuações das autoridades e forças israelitas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Considerou, no entanto, que o trabalho dos relatores especiais, sendo independente da ação do secretário-geral, “é uma parte importante da arquitetura internacional de Direitos Humanos”.

“Toda a gente tem um papel nesta organização. Não estamos de acordo com grande parte do que ela [Albanese] diz. Não usaríamos a linguagem que usa para descrever a situação”, afirmou na quinta-feira o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.

O porta-voz referiu que Albanese “tem um papel específico” e recordou que são os governos e o Conselho de Direitos Humanos da ONU que nomeiam os relatores especiais.

“Todos têm responsabilidades, seja o secretário-geral ou os Estados-membros”, afirmou.

“Se os Estados-membros não estão satisfeitos com o que dizem um ou vários dos relatores especiais, é sua responsabilidade envolverem-se no trabalho do Conselho dos Direitos Humanos, participarem e impulsionarem a direção que desejam impulsionar”, acrescentou.

O mandato de Albanese como relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados termina em 2028.

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