A banca portuguesa atravessa um novo ciclo de transformação, marcado por maior exigência regulatória, pressão sobre a eficiência e crescente centralidade dos dados na tomada de decisão. O resultado é claro: o perfil de talento mais valorizado no setor está a mudar.
De acordo com o Guia Salarial 2026 da Adecco, as instituições financeiras estão a reforçar estruturas de compliance, risco e controlo, ao mesmo tempo que apostam em áreas com impacto direto na geração de receita, como corporate finance, investment banking e wealth management.
Os cargos de liderança continuam a concentrar as remunerações mais elevadas. Funções como CFO e Head of Accounting apresentam faixas salariais entre 70 mil e 110 mil euros anuais, tanto em Lisboa como no Porto, refletindo o peso estratégico destas posições na governação financeira, no reporting e na relação com reguladores.
Nas áreas de risco e investimento, os valores podem ser ainda mais expressivos. Um Head of Risk pode atingir entre 75 mil e 110 mil euros anuais, enquanto posições de Head of Investment Banking ou Corporate Finance podem alcançar os 160 mil euros anuais, acompanhando o impacto direto na estruturação de operações e na geração de receita.
O reforço regulatório continua a impulsionar a procura por perfis especializados em compliance e auditoria. Um Compliance Officer pode auferir entre 23 mil e 35 mil euros anuais, enquanto um Compliance Manager varia entre 35 mil e 80 mil euros, consoante a senioridade e complexidade da instituição.
Na auditoria interna, os salários situam-se entre 28 mil e 55 mil euros para Internal Auditor, podendo os Audit Managers atingir entre 40 mil e 70 mil euros anuais.
Também na gestão de risco se verifica uma valorização consistente. Um Risk Manager pode ganhar entre 40 mil e 80 mil euros em Lisboa (35.500 a 70 mil euros no Porto), enquanto os Risk Analysts variam entre 24 mil e 50 mil euros, refletindo a crescente sofisticação dos modelos de análise e controlo.
As áreas de corporate finance, investment banking e capital markets continuam a destacar-se pelos níveis remuneratórios mais elevados no setor financeiro. Um Manager de Corporate Finance pode situar-se entre 55 mil e 90 mil euros anuais, enquanto um Investment Manager pode atingir valores entre 60 mil e 100 mil euros.
Já perfis intermédios, como Investment Analyst ou Associate, apresentam faixas entre 28 mil e 55 mil euros, evidenciando uma progressão salarial alinhada com a senioridade e exposição a operações de maior complexidade.
O middle management assume igualmente um papel cada vez mais estratégico. Funções como Finance Manager, Compliance Manager ou Manager Capital Markets são hoje críticas na articulação entre estratégia, execução e controlo, traduzindo-se numa procura crescente por profissionais capazes de operar em ambientes altamente regulados e orientados por dados.














