A remodelação governamental desencadeada pela demissão da ministra da Administração Interna deverá ser limitada e estrategicamente calculada, acontecendo apenas mais para o final da próxima semana, depois de ultrapassada a fase mais crítica do mau tempo. Segundo o jornal ‘Público’, a mudança no Executivo será “cirúrgica”, evitando uma reestruturação alargada do Governo numa altura de elevada pressão política e operacional.
Até que essa remodelação se concretize, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, assumiu diretamente a pasta da Administração Interna. A decisão foi interpretada pelo Presidente da República como um “sinal político” da centralidade que o chefe do Governo quer atribuir à resposta às consequências das tempestades.
A demissão de Maria Lúcia Amaral foi aceite por Marcelo Rebelo de Sousa na terça-feira à noite, após a ministra ter alegado não reunir as “condições pessoais e políticas indispensáveis” para continuar no cargo. A saída ocorreu num contexto de críticas crescentes à gestão da tutela e na véspera de um debate quinzenal no Parlamento.
Com o país sob sucessivas intempéries, Montenegro decidiu assumir temporariamente a liderança da Administração Interna, cancelando compromissos internacionais e deslocando-se à região Centro para acompanhar a situação no terreno. Questionado sobre a remodelação, limitou-se a afirmar que o tema será tratado “oportunamente”, sinalizando que pretende controlar o calendário político e evitar precipitações.
De acordo com o jornal diário, no núcleo restrito do primeiro-ministro não há abertura para especulações sobre o alcance ou o momento exato das alterações governamentais. Fonte governamental refere que “está tudo na cabeça do primeiro-ministro”, reforçando a ideia de que a decisão final sobre nomes e estrutura depende exclusivamente de Montenegro.
Enquanto não há novo titular para a Administração Interna, o primeiro-ministro optou por reconduzir os secretários de Estado Paulo Simões Ribeiro, Telmo Correia e Rui Rocha, que haviam cessado funções com a demissão da ministra. A recondução visa garantir continuidade e estabilidade numa fase considerada crítica, evitando mais instabilidade interna no Executivo.
A remodelação, embora anunciada como limitada, surge num contexto de forte pressão política. A oposição tem intensificado críticas à resposta do Governo às intempéries e à atuação da agora ex-ministra. Ainda assim, a decisão de adiar as alterações estruturais procura recentrar o foco na gestão da crise, deixando as mudanças formais para um momento de menor turbulência.
Em paralelo, o Parlamento aprovou a audição do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, para prestar esclarecimentos sobre o envolvimento das Forças Armadas no apoio às populações afetadas, sinal de que o escrutínio político ao Governo deverá manter-se elevado nas próximas semanas.
Para já, a estratégia de Montenegro passa por concentrar a liderança, assegurar continuidade na equipa e preparar uma remodelação seletiva, desenhada para reforçar politicamente o Executivo sem abrir novas frentes de instabilidade num momento particularmente sensível.














