A segunda volta das eleições presidenciais completa-se este domingo, nas zonas onde a votação foi adiada devido ao mau tempo que assolou o país no passado fim de semana. Ao todo, cerca de 36.852 eleitores de 20 freguesias e três concelhos poderão finalmente exercer o direito de voto, após o sufrágio de 8 de fevereiro ter sido interrompido por situações de calamidade.
De acordo com a lei eleitoral para o Presidente da República, quando ocorre uma calamidade que impeça a votação, a eleição deve realizar-se no sétimo dia posterior. Foi isso que aconteceu nos concelhos de Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, bem como em sete freguesias dos municípios de Santarém, Rio Maior, Leiria, Cartaxo e Salvaterra de Magos.
Contudo, a legislação é clara: não existe a possibilidade de novo adiamento. Caso a votação não possa concretizar-se este domingo, o apuramento definitivo será feito sem ter em conta esses votos. Ou seja, se por qualquer motivo persistirem condições que impeçam a ida às urnas, os resultados finais não incluirão essas freguesias.
Apesar de ainda faltar esta votação suplementar, o resultado global da segunda volta já é conhecido. António José Seguro venceu as presidenciais com 66,83% dos votos, contra 33,17% de André Ventura. O candidato apoiado pelo PS tornou-se assim o político com mais votos absolutos em democracia, ultrapassando os registos alcançados por Mário Soares em 1991 e por Cavaco Silva nas legislativas do mesmo ano.
Nos 65 concelhos em situação de calamidade que foram a votos na segunda volta, Seguro venceu em todos, registando crescimentos acima da média nacional em vários dos territórios mais afetados pelas tempestades. Em Leiria, um dos concelhos mais atingidos pela depressão Kristin, onde milhares de pessoas continuam a enfrentar constrangimentos, Seguro mais do que duplicou os votos da primeira volta, enquanto Ventura cresceu apenas 20%.
Na Marinha Grande, também fortemente afetada, Ventura aumentou 13%, ao passo que Seguro subiu 90%. Em Pombal e Ourém, onde o candidato apoiado pelo Chega tinha vencido na primeira volta, o crescimento de Seguro foi superior a 100%, invertendo o resultado inicial e consolidando uma maioria clara na segunda volta.
Foi ainda em concelhos como Penamacor e Coimbra que Seguro alcançou alguns dos seus melhores resultados nacionais, num contexto marcado por dificuldades logísticas, cortes de energia e danos significativos provocados pelo temporal.
Este domingo representa, por isso, o fecho formal do processo eleitoral nas zonas onde a calamidade obrigou ao adiamento. Ainda que o desfecho político esteja definido, a participação destes eleitores mantém relevância simbólica e institucional, num momento em que o país procura regressar à normalidade após semanas marcadas por instabilidade meteorológica e prejuízos avultados.














