Medidas de apoio à economia nacional podem exceder 20 mil milhões de euros, garante Centeno

Pormenorizando os apoios do Estado às empresas e às famílias, e o reforço assinalável no SNS, o ministro das Finanças vincou que todas as medidas tomadas até agora pelo Governo podem ultrapassar um montante global de 20 mil milhões de euros.

Sónia Bexiga

O desemprego foi um dos focos das questões colocadas pelos partidos políticos ao ministro das Finanças Mário Centeno numa audição na Comissão de Orçamento e Finanças, esta quinta-feira.

Mário Centeno avançou que o regime de lay-off já abrange “mais de um milhão de trabalhadores”, sendo que o custo aproximado deste número de trabalhadores poderá já rondar os mil milhões de euros por mês, avançou em resposta ao deputado social-democrata Duarte Pacheco, o ministro voltou a apresentar os cálculos já anunciados pelo primeiro-ministro António Costa de que “cada mês de um milhão e meio de trabalhadores pode ter custo aproximado de mil milhões de euros”.

Pormenorizando os apoios do Estado às empresas e às famílias, e o reforço assinalável no Serviço Nacional de Saúde, o ministro das Finanças vincou que todas as medidas tomadas até agora pelo Governo podem ultrapassar um montante global de 20 mil milhões de euros, cerca de 9% do produto interno bruto de 2019.

“Tudo somado, com as moratórias às empresas, estamos a falar de valores que podem exceder os 20 mil milhões de euros ao longo de 2020”, afirmou Mário Centeno numa resposta ao deputado do PSD, Duarte Pacheco que quis também conhecer os valores de despesa no Serviço Nacional de Saúde (SNS). “O esforço de execução de despesa adicional [no SNS] aponta para valores que facilmente ultrapassarão os 500 milhões de euros”, respondeu o titular das Finanças, acrescentando que essa deverá também ser a cifra para a despesa adicional “para o subsídio de desemprego e outras prestações sociais”, revelou.

Centeno admitiu novamente que o Governo poderá apresentar um Orçamento retificativo, mas aguarda mais detalhes sobre a retoma da economia e as despesas que o Estado terá derivados do impacto da pandemia do novo coronavírus.

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“Pode requerer um orçamento suplementar”, disse o ministro da tutela, numa audição na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, esta quinta-feira. “Aquilo que estamos a tentar é gerir as margens orçamentais”, acrescentou.

Mário Centeno explicou que a despesa acrescida ao cenário previsto no Orçamento do Estado para 2020 (OE2020) “é muito concentrada” no Serviço Nacional de Saúde e na Segurança Social, pelo que o Executivo está a fazer um “compasso de espera” para compreender de que forma é que poderá ser feita a gestão dos dois setores.

Explicou ainda que o Governo está a avaliar “qual é o momento em que vamos retomar a atividade económica, dentro de contexto de distanciamento social que se vai manter muitos dias, e como é que vamos proteger o nosso outono”, para apresentar o Orçamento retificativo. “Quando soubermos esta dimensão todos podemos falar com mais propriedade”, vincou.

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