Costa: «É importante olhar para o passado» mas «reanimar» a economia

Cabe ao Presidente da República declarar o Estado de Emergência. Contudo, essa decisão depende da audição do Governo e da posterior votação do Parlamento.

Ana Rita Rebelo

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu no Parlamento, durante o debate sobre a renovação do Estado de Emergência que «é importante olhar para o passado», mas que «temos de começar a reanimar a economia sem descontrolar a pandemia».

O chefe do Governo é claro: «Vamos ter de viver ano ou ano e meio com a ameaça permanente deste vírus e com o risco de pandemia». Por outro lado, «não podemos viver ano e meio em contenção», entende.

Para António Costa, os próximos 15 dias serão decisivos para preparar o terreno do próximo ano e meio. Ou seja, aprender a conviver com o vírus. «Os próximos 15 dias são fundamentais para que em Maio possamos retomar não a normalidade da vida, mas a capacidade de poder viver em condições de maior normalidade. E com a garantia de que a pandemia se mantém controlada», referiu.

Em primeiro lugar, o primeiro-ministro disse que, nas próximas duas semanas, é preciso tornar abundante os meios de protecção individual, para os quais as autoridades de saúde têm vindo a recomendar a sua utilização.

Por outro lado, é manter as normas de higiene no trabalho e nos espaços públicos e transportes públicos. «Temos de encontrar formas de ter horários desencontrados, uma nova forma de organização do trabalho que não crie ondas de ponta fortes, mas também temos de criar capacidade para que voltemos a circular em segurança nos transportes públicos em Portugal.»

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Para António Costa, o teletrabalho deve continuar a ser a regra, sobretudo para que a operação dos transportes públicos possa «decorrer o melhor possível» e para que as empresas possam organizar-se, nomeadamente através da criação de turnos. O primeiro-ministro defendeu ainda que «retirar pessoas do confinamento doméstico» e o regresso ao local de trabalho são importantes também por razões de saúde mental.

«Espero que seja a última vez na nossa vida que estejamos aqui a decretar o Estado de Emergência», rematou.

O Estado de Emergência, que de acordo com a Constituição não pode ter duração superior a 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações com o mesmo limite temporal, vigora em Portugal desde o dia 19 de Março e foi já renovado uma vez, até 17 de Abril. Cabe ao Presidente da República declarar o Estado de Emergência. Contudo, essa decisão depende da audição do Governo e da posterior votação do Parlamento.

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De acordo com dados da Agence France-Press, a partir de dados oficiais, foram registadas 137.500 mortos e pelo menos 2.083.820 casos de infecção em 193 países.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Portugal regista, neste momento, 629 óbitos por Covid-19, mais 30 do que ontem, e 18.841 pessoas infectadas (+750). Os dados constam do último boletim epidemiológico divulgado esta quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde.

*Notícia actualizada às 17:33

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