O calor poderá ajudar a abrandar propagação do novo coronavírus, mas a chegada das temperaturas mais altas e uma mudança de estação não serão suficientes para travar por completo a pandemia. A conclusão é de um estudo desenvolvido por cientistas espanhóis, que aponta para as dificuldades provocadas pela falta de um tratamento eficaz e de uma vacina.
Citado pelo jornal El País, Fernando Belda, porta-voz da Agencia Estatal de Meteorologia (Aemet), mostra-se optimista. O estudo levado a cabo pela sua equipa indica, de facto, uma correlação entre o frio e a propagação do COVID-19 em Espanha: há um padrão, garantem os especialistas.
No entanto, alertam que não será suficiente. Experiências anteriores e a situação actual da pandemia noutros países mostram o Verão não é a receita mágica para pôr fim à crise sanitária que o Mundo enfrenta.
Os cientistas espanhóis analisaram um período de 14 dias, a respectiva temperatura média e número de contágios acumulados por cada 100 mil habitantes. Segundo Fernando Belda, o padrão (temperatura mais baixa – mais casos) manteve-se durante todo o período, ainda que haja outros factores a levar em consideração.
Cristina Linares, co-autora do estudo, lembra que a humidade e a temperatura variam muito de região para região e que existem outros aspectos que influenciam o contágio. Na Austrália e no Irão, por exemplo, países com um temperaturas mais elevadas, o ritmo de propagação é elevado. As medidas de contenção e a densidade populacional estão entre os factores a ter em mente.
«Além disso, os outros coronavírus que provocaram doenças em humanos potencialmente graves, como a SARS e a MERS, não demonstraram nenhum comportamento associado a estações», adiantam os autores de um outro estudo desenvolvido pela Univesidade de Harvard. Recorde-se que Donald Trump acreditava, em Fevereiro, que a pandemia chegaria ao fim em Abril quando o calor se começasse a fazer sentir.
Há ainda quem considere que a correlação entre a temperatura e a propagação do vírus não é suficiente devido à falta de imunidade a nível mundial. Dada essa falta, indicam os especialistas da Universidade de Oxford citados pela mesma publicação, «esta redução da eficiência da transmissão poderá não conduzir a uma diminuição significativa da propagação da doença».
Segundo o El País, esta visão é apoiada pela virologista espanhola Margarita del Val: em circunstâncias de pandemia, o mais importante é o número de pessoas susceptívisi e não as oscilações meteorológicas.





