Dois ocupantes de um Tesla Model Y foram filmados a dormir enquanto o veículo circulava com o sistema de condução autónoma ativado numa cidade dos Estados Unidos, num episódio que reacendeu o debate sobre os riscos do uso indevido destas tecnologias, sobretudo em condições adversas como a chuva.
As imagens, captadas por passageiros de outro automóvel e amplamente divulgadas nas redes sociais, mostram os dois ocupantes aparentemente inconscientes enquanto o carro se desloca sem intervenção humana visível. De acordo com o ‘El País’, o caso gerou uma onda de críticas, com utilizadores a classificarem o comportamento como perigoso e irresponsável.
🚘Ya hay conductores de Tesla $TSLA que se atreven a ir durmiendo mientras el coche va solo.¿Tú serías capaz?
El futuro
👇👇👇👇 pic.twitter.com/qqZtEa9Yow— David Galán 📈 (@DavidGalanBolsa) January 15, 2026
Especialistas e condutores experientes sublinham que os sistemas de assistência à condução da Tesla não foram concebidos para substituir totalmente o condutor. Embora o Autopilot possa ajudar em determinadas situações, exige atenção permanente e capacidade de intervenção imediata, algo incompatível com o ato de dormir ao volante.
Críticas à utilização abusiva do Autopilot
Segundo o ‘El País’, muitos comentários salientam que existe uma diferença clara entre utilizar o sistema de forma prudente e explorá-lo como se se tratasse de uma condução totalmente autónoma. Os próprios avisos da Tesla indicam que o condutor deve manter as mãos no volante e estar preparado para assumir o controlo a qualquer momento, uma exigência que não é cumprida quando os ocupantes adormecem.
O episódio ganha especial relevância por ter ocorrido sob chuva, um cenário que aumenta significativamente o risco de acidentes devido à menor aderência dos pneus e à possibilidade de aquaplanagem. Nestes contextos, qualquer falha de leitura dos sensores ou atraso na resposta do sistema pode ter consequências graves.
Robotáxis e perceção de falsa segurança
O caso surge num momento em que a Tesla tem reforçado a visibilidade pública da sua aposta na condução autónoma. Nos últimos meses, a empresa de Elon Musk apresentou uma frota de robotáxis e iniciou testes em cidades como Austin, no Texas, onde já foram vistos veículos a circular sem motorista e sem ocupantes no interior.
Um desses vídeos, também amplamente partilhado, levou o próprio Elon Musk a esclarecer que os testes estavam a ser realizados sem passageiros. Ainda assim, a crescente presença de veículos autónomos nas estradas tem alimentado uma perceção de que a tecnologia já é totalmente fiável, algo que especialistas contestam.
A driverless Tesla Robotaxi was spotted on the roads of Austin, Texas today.
No one in the car. No safety driver.
Fully autonomous.
This is actually happening.
— DogeDesigner (@cb_doge) December 14, 2025
Apesar dos avanços, a condução autónoma continua a apresentar limitações técnicas e não está preparada para dispensar por completo a supervisão humana em ambientes urbanos complexos e imprevisíveis.
Dormir ao volante continua a ser um risco grave
Ver um automóvel circular sem qualquer intervenção humana visível continua a representar um desafio para a sociedade e para os reguladores. O episódio dos condutores a dormir reforça os receios de que alguns utilizadores estejam a interpretar de forma errada o alcance real destes sistemas, colocando-se a si próprios e aos outros em risco.
Enquanto os robotáxis ganham terreno nos Estados Unidos, casos como este mostram que a condução autónoma ainda está longe de ser infalível e que a responsabilidade humana permanece um elemento central da segurança rodoviária.














