Cada vez mais turistas internacionais dizem estar a virar as costas aos Estados Unidos devido às ações e ao discurso do atual Governo americano. Uma sondagem online, indicou esta terça-feira o jornal britânico ‘The Independent’, que decorreu nas redes sociais reuniu cerca de 12 mil respostas e revelou que quatro em cada cinco participantes afirmam que não viajariam para os EUA neste momento.
A pergunta colocada relacionava-se com um homicídio atribuído a agentes do ICE em Minneapolis e com declarações do presidente Donald Trump sobre tropas britânicas e aliadas, consideradas desrespeitosas. Segundo o ‘The Independent’, 80% dos inquiridos responderam simplesmente: “Eu não iria lá.”
Cancelamentos e desistências assumidas
Entre os 9% que disseram já ter uma viagem marcada para os Estados Unidos, a maioria mantém os planos, mas um em cada sete admite que irá cancelar a deslocação. Outros 11% afirmaram que continuariam dispostos a viajar para o país, um valor residual face à esmagadora maioria que rejeita o destino.
Vários leitores relataram experiências passadas positivas, contrastando-as com a atual conjuntura política. Chris Walton recordou uma viagem de três semanas pela Rota 66 como “as melhores férias de sempre”, mas sublinhou que não regressaria “sob o Governo atual”.
Dawn Chandler afirmou ter bilhetes de avião não reembolsáveis para julho, mas pondera abdicar da viagem e perder o dinheiro. A leitora lamenta que o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido não tenha atualizado os avisos de viagem, o que lhe permitiria acionar o seguro.
Medos à entrada e preocupações com segurança
Questionados sobre as razões para evitarem os EUA, 54% dos inquiridos disseram estar a boicotar o país devido aos recentes desenvolvimentos políticos. Cerca de 21% apontaram preocupações com a segurança pessoal, enquanto um em cada nove manifestou receio de ter as suas redes sociais verificadas à chegada. Um em cada sete afirmou simplesmente não ter qualquer interesse em visitar os Estados Unidos.
O académico britânico Colin Talbot, que viajou regularmente para os EUA desde os anos 1990, afirmou que não entraria agora no país “por motivo nenhum”, receando ser impedido de entrar, detido ou alvo de intrusão na sua privacidade, segundo o ‘The Independent’.
Vários Governos estrangeiros mantêm alertas aos seus cidadãos. As autoridades australianas avisam que os Estados Unidos perseguem, detêm e deportam ativamente pessoas em situação irregular, recomendando que os viajantes estejam preparados para provar o seu estatuto legal.
Nem todos desistem do destino
Apesar do clima de rejeição, há também quem continue a defender viagens aos EUA. Alguns leitores sublinham que o país permanece interessante e acolhedor, distinguindo a população das decisões políticas federais, e relatam visitas anteriores sem incidentes.
Ainda assim, a sondagem sugere uma mudança clara de perceção entre potenciais turistas internacionais, com impacto direto na atratividade dos Estados Unidos enquanto destino turístico.














