NATO prepara “zona automatizada” com IA para defender fronteiras europeias da Rússia

Área automatizada deverá integrar um vasto conjunto de sensores capazes de detetar forças inimigas e acionar respostas defensivas, incluindo drones, veículos de combate semiautónomos, robôs terrestres, bem como sistemas automáticos de defesa aérea e antimísseis

Francisco Laranjeira
Janeiro 26, 2026
12:48

A NATO está a preparar um reforço significativo das suas defesas ao longo das fronteiras europeias com a Rússia, através da criação de uma “zona automatizada” apoiada por inteligência artificial, concebida para funcionar sem a presença permanente de forças terrestres humanas.

De acordo com o ‘Kyiv Post’, a informação foi avançada pelo general alemão Thomas Lowin, vice-chefe de operações da NATO, em declarações ao jornal ‘Welt am Sonntag’. O responsável explicou que esta zona serviria como uma barreira defensiva inicial, antecedendo uma “espécie de zona quente”, onde poderia ocorrer combate convencional.

A área automatizada deverá integrar um vasto conjunto de sensores capazes de detetar forças inimigas e acionar respostas defensivas, incluindo drones, veículos de combate semiautónomos, robôs terrestres, bem como sistemas automáticos de defesa aérea e antimísseis. Segundo Lowin, apesar do elevado grau de automação, qualquer decisão de utilização de armamento letal continuará a estar sempre sob responsabilidade humana.

Os sensores estariam distribuídos “em terra, no espaço, no ciberespaço e no ar”, cobrindo uma extensão de vários milhares de quilómetros. Esses sistemas permitiriam identificar movimentos inimigos ou o posicionamento de armamento e transmitir informação em tempo real a todos os países da Aliança Atlântica, segundo o ‘Kyiv Post’.

O general sublinhou que o sistema orientado por inteligência artificial não substituiria as capacidades militares existentes, mas reforçaria o armamento e as forças já destacadas pela NATO. O objetivo passa por criar uma camada adicional de dissuasão e alerta precoce, num contexto de crescente tensão no flanco oriental da Aliança.

O jornal alemão refere que já decorrem programas de teste na Polónia e na Roménia para avaliar as capacidades propostas. A ambição da NATO será tornar o sistema plenamente operacional até ao final de 2027, envolvendo o esforço conjunto de todos os Estados-membros.

A iniciativa surge num momento em que os aliados europeus intensificam os preparativos militares, perante receios de que a Rússia, cuja economia se encontra em regime de guerra devido ao conflito na Ucrânia, possa procurar alargar a sua influência em território da União Europeia.

Neste contexto, a Polónia prepara-se para assinar um contrato para aquele que é descrito como “o maior sistema antidrone da Europa”. O ministro da Defesa polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, afirmou ao jornal ‘Gazeta Wyborcza’ que o acordo, a concluir no final de janeiro, envolve diferentes tipos de armamento. O valor do contrato e o consórcio responsável não foram divulgados, sendo a decisão justificada por uma “necessidade operacional urgente”.

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