A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) lamentou o atraso na ratificação do Acordo União Europeia–Mercosul, considerando que a decisão tem custos económicos elevados para a União Europeia e impactos particularmente negativos para a economia portuguesa.
Em reação à aprovação, pelo Parlamento Europeu, de uma moção que adiou o processo de ratificação, o presidente da CIP, Armindo Monteiro sublinha que “a ratificação célere do acordo não é apenas uma decisão de política comercial: é um passo essencial para reforçar o crescimento económico, a competitividade e a resiliência da economia europeia e portuguesa”,
Com negociações que se arrastam há duas décadas e meia, só entre 2021 e 2025, a União Europeia sacrificou 183 mil milhões de euros em exportações e 291 mil milhões de euros em PIB.
Este impacto acumulado equivale a cerca de 1,6% do PIB da União Europeia, ou aproximadamente a dois anos de crescimento económico europeu aos ritmos observados em 2023 e 2024”.
Segundo dados citados pela confederação, baseados num estudo recente do European Centre for International Political Economy (ECIPE), o adiamento do acordo já teve um impacto económico significativo. Apenas entre 2021 e 2025, a União Europeia terá sacrificado cerca de 183 mil milhões de euros em exportações e 291 mil milhões de euros em Produto Interno Bruto (PIB), valores que correspondem à atividade económica que poderia ter sido gerada caso o acordo tivesse entrado em vigor conforme inicialmente previsto.
A CIP alerta que, sem um acordo em vigor com os quatro países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai —, Portugal continuará a manter uma relação comercial desequilibrada com esta região. Atualmente, as exportações portuguesas para o Mercosul rondam mil milhões de euros por ano, enquanto as importações atingem cerca de 3,5 mil milhões de euros.
A confederação destaca que a entrada em vigor do acordo permitirá a eliminação progressiva de tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia para o Mercosul ao longo de 15 anos, enquanto a UE eliminará tarifas sobre 92% das exportações do bloco sul-americano num período até dez anos. Este processo poderá gerar poupanças anuais até quatro mil milhões de euros em direitos aduaneiros para as empresas europeias.
Além do impacto comercial, a CIP salienta que o acordo proporcionará acesso privilegiado a um mercado de cerca de 270 milhões de consumidores, reforçando também a presença económica e geopolítica da União Europeia numa região considerada estratégica. O entendimento inclui ainda compromissos em matéria de clima e sustentabilidade, bem como um quadro de diálogo permanente entre as partes.
“Os custos do adiamento vão muito além das exportações perdidas: os estudos demonstram que a incerteza política está a levar empresas europeias a desviar investimento e a estabelecer cadeias de abastecimento alternativas fora do Mercosul, cedendo quota de mercado à China e enfraquecendo a influência económica europeia naquela região”, afirma Armindo Monteiro. Para o presidente da CIP, a conclusão e ratificação célere do Acordo UE–Mercosul não é apenas uma decisão de política comercial: é um passo essencial para reforçar o crescimento económico, a competitividade e a resiliência da economia europeia e portuguesa”.










