O Parlamento Europeu decidiu suspender esta terça-feora a tramitação do acordo comercial com os Estados Unidos, na sequência das recentes ameaças do presidente Donald Trump contra aliados de longa data de Washington, incluindo França e Alemanha. A medida foi confirmada pelos principais grupos políticos da Eurocâmara e representa um claro sinal de descontentamento com a Casa Branca.
A decisão foi tomada em comum acordo entre os grupos conservador, socialista e liberal, que juntos detêm a maioria no Parlamento. “Agir com ameaças é inaceitável. É por isso que decidimos suspender o acordo comercial”, afirmou Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu (PPE), maior bancada da Eurocâmara.
O acordo, fechado em julho do ano passado, prevê uma alíquota de 15% para produtos da União Europeia entrarem nos Estados Unidos, enquanto mercadorias americanas beneficiam de tarifa zero em determinadas categorias. A suspensão da ratificação, que estava prevista para ocorrer ainda este mês, não inviabiliza o tratado, mas envia uma mensagem firme de que qualquer tentativa de coerção poderá ter consequências comerciais.
“É uma alavanca extremamente poderosa – não creio que as empresas concordariam em abrir mão do mercado europeu”, disse Valerie Hayer, presidente do grupo centrista Renew, sublinhando a importância estratégica do bloco no comércio transatlântico.
O atraso na aprovação coincide com a preparação de uma cúpula de emergência da UE em Bruxelas, marcada para esta quinta-feira, para discutir respostas às ameaças de Trump em relação à Gronelândia, território autónomo da Dinamarca. Entre as opções avaliadas pelo bloco está a imposição de tarifas retaliatórias sobre produtos norte-americanos no valor de 93 mil milhões de euros, bem como a utilização do instrumento europeu de comércio anticoerção, defendido por líderes como Emmanuel Macron.
O Parlamento Europeu procurará manter a unidade entre os 27 Estados-membros, evitando que divergências internas enfraqueçam a posição do bloco. Alguns eurodeputados da extrema-direita criticaram a suspensão do acordo, defendendo a continuação do processo, mas a maioria acredita que a moderação e a firmeza diplomática são essenciais para lidar com as ameaças americanas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu as tarifas adicionais como um “erro, sobretudo entre aliados de longa data”, e prometeu uma resposta “firme, unida e proporcional”, enquanto Bruxelas avalia o impacto de qualquer retaliação comercial.














