Deputado do Chega acusado de roubar malas participou em almoço de grupo neonazi 1143 com o rosto tapado

Um então deputado do Chega marcou presença, em outubro de 2024, num almoço de convívio do Grupo 1143, organização neonazi fundada por Mário Machado, realizado no Porto para assinalar o primeiro aniversário do movimento.

Revista de Imprensa

Um então deputado do Chega marcou presença, em outubro de 2024, num almoço de convívio do Grupo 1143, organização neonazi fundada por Mário Machado, realizado no Porto para assinalar o primeiro aniversário do movimento. Três meses antes de se tornar mediático pelo alegado roubo de 19 bagagens nos aeroportos de Lisboa e de Ponta Delgada, Miguel Arruda terá participado no encontro com um passa-montanhas a ocultar o rosto, numa fase em que começava a ganhar notoriedade no meio da extrema-direita, nomeadamente pela defesa pública de Mário Machado, a quem chegou a chamar “preso político”, afirmando mesmo: “Eu pertenço ao Mário”.

A informação foi apurada pelo Expresso, que contactou o ex-deputado para esclarecimentos, tendo este recusado prestar comentários, limitando-se a responder: “Não falo com jornalistas”. As autoridades suspeitam que esta proximidade tenha feito parte de uma estratégia deliberada do Grupo 1143 para aliciar deputados, autarcas e militantes com algum destaque no Chega para a causa ultranacionalista.

No âmbito da Operação Irmandade, conduzida pela Unidade Nacional Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária, foram detidas 37 pessoas e constituídos 15 arguidos, entre os quais quatro com ligações conhecidas ao Chega: João Peixoto Branco, ex-candidato a uma junta de freguesia em Guimarães; Rita Castro, integrante da lista do partido à Câmara de Guimarães nas autárquicas de 2021; Rui Roque, candidato numa lista a um congresso do partido, entretanto suspenso; e Tirso Faria, que não foi detido. Há ainda cerca de uma dezena de militantes do Chega que, segundo apurou a investigação, orbitam junto da hierarquia do grupo neonazi.

O Grupo 1143 tem igualmente demonstrado apoio político explícito, tendo apelado ao voto em André Ventura nas eleições presidenciais de 18 de janeiro, apesar de se apresentar como “apartidário”. Em mensagens trocadas em grupos fechados no Telegram, alguns suspeitos admitem recorrer à violência, garantindo que o regime terá de “cair” caso António José Seguro seja eleito. André Ventura reagiu às notícias rejeitando qualquer ligação e afirmando que se trata de “puro ódio” e de uma “palhaçada habitual” associada à acusação de extremismo.

Mesmo preso desde maio do ano passado na cadeia de Alcoentre, Mário Machado continuava a comandar o grupo, recorrendo a telemóveis no interior do estabelecimento prisional e mantendo contacto direto com a cúpula do 1143, conhecida internamente como os “Quatro Mosqueteiros”. A sua mãe, Hortense Machado, funcionava como intermediária entre o líder e Gil Costa, responsável pelo núcleo do Norte. A investigação indica ainda tentativas de recrutamento de guardas prisionais, bem como a existência de simpatizantes da causa entre elementos da PSP e das Forças Armadas.

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Desde a fundação do Grupo 1143, em outubro de 2023, existem indícios consistentes de ligações formais e informais a forças de segurança. A operação da PJ confirmou essas suspeitas com a detenção de um agente da PSP de Setúbal e de um militar da Força Aérea, que tinha em casa material bélico, incluindo escudos antimotim. O grupo é também acusado de ameaçar jornalistas que investigaram crimes de ódio contra imigrantes, tendo pelo menos uma profissional apresentado queixa-crime. A investigação teve início em fevereiro de 2024, após a tentativa de organizar uma manifestação contra a “islamização da Europa” no Martim Moniz, travada pelas autoridades, e concluiu que ações de cariz social promovidas pelo grupo não passavam de operações de fachada.

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