Dinamarca reforça presença militar na Gronelândia e propõe missão da NATO no Ártico a Mark Rutte

A Dinamarca reforçou esta segunda-feira a sua presença militar na Gronelândia e apresentou, em conjunto com o governo do território semiautónomo, uma proposta formal para a criação de uma missão da NATO no Ártico, numa altura de crescente tensão geopolítica em torno da região.

Pedro Gonçalves
Janeiro 20, 2026
12:28

A Dinamarca reforçou esta segunda-feira a sua presença militar na Gronelândia e apresentou, em conjunto com o governo do território semiautónomo, uma proposta formal para a criação de uma missão da NATO no Ártico, numa altura de crescente tensão geopolítica em torno da região. A iniciativa foi discutida em Bruxelas com o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, que reconheceu a importância estratégica da Gronelândia para a segurança coletiva e garantiu que a NATO continuará a trabalhar com Copenhaga e Nuuk na estabilidade da região.

O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, após um encontro com Rutte, no qual participou também a responsável pelos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt. “Falámos sobre isso e também o propusemos”, afirmou Poulsen aos jornalistas, sublinhando que o secretário-geral da NATO “tomou nota da proposta” e que existe agora margem para “estabelecer um enquadramento” que permita avançar com a missão, em linha com as conversações mantidas com o governo gronelandês.

Em paralelo com a vertente diplomática, Copenhaga avançou com o reforço no terreno. O Exército dinamarquês confirmou que um avião militar com soldados dinamarqueses aterrou esta segunda-feira à noite em Kangerlussuaq, no oeste da Gronelândia, no âmbito do aumento do dispositivo militar na ilha. Este reforço surge num contexto em que forças de vários países aliados já se encontram no território para participar no exercício militar “Arctic Endurance”, centrado na defesa do flanco norte da NATO, embora se trate de manobras lideradas pela Dinamarca e não de uma missão formal da Aliança.

Mark Rutte evitou comentar diretamente as tensões políticas associadas às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Gronelândia, optando por enfatizar a dimensão estratégica da região. Numa mensagem publicada na rede social X, o secretário-geral da NATO afirmou que foram discutidos “a importância do Ártico, incluindo a Gronelândia, para a nossa segurança coletiva” e o reforço do investimento dinamarquês em “capacidades-chave”, assegurando que os aliados “continuarão a trabalhar juntos” nestes dossiers considerados cruciais.

A iniciativa dinamarquesa surge num contexto internacional marcado pelas ameaças de Donald Trump de avançar com a anexação da Gronelândia, não excluindo o uso da força. O presidente norte-americano tem igualmente pressionado vários países europeus, ameaçando impor tarifas aduaneiras como retaliação pela oposição aos seus planos. Nos últimos dias, Trump advertiu que irá aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia a partir de 1 de fevereiro, valor que poderá subir para 25% a partir de 1 de junho de 2026, mantendo-se em vigor “até que se alcance um acordo para a compra completa e total da Gronelândia”.

Questionado sobre a possibilidade de recuar nessas medidas caso não haja acordo, Trump foi taxativo: “Sim, a 100%”. O presidente norte-americano justificou a sua posição com argumentos de segurança nacional, defendendo que os seus planos expansionistas são necessários para proteger os Estados Unidos de ameaças externas. “A Europa devia concentrar-se na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, porque, francamente, já se viu o que isso lhes trouxe”, declarou, acrescentando: “É nisso que a Europa se devia focar, não na Gronelândia”.

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