Aos 29 anos, tem 250 dias de descanso e salário de até 110 mil euros por ano… mas há um senão

Amalie trabalha há três anos como técnica de processos e responsável de área numa plataforma offshore, depois de ter iniciado a sua carreira como bombeira

Francisco Laranjeira

Ter mais de 250 dias de descanso por ano e um salário anual que pode ultrapassar os 110 mil euros aos 29 anos é uma realidade ao alcance de muito poucos. Uma dessas exceções é Amalie Lundstad, engenheira de processos que trabalha numa plataforma petrolífera ao largo da costa da Noruega, no Mar do Norte, perto de Bergen.

De acordo com o ‘El Economista’, Amalie trabalha há três anos como técnica de processos e responsável de área numa plataforma offshore, depois de ter iniciado a sua carreira como bombeira. O percurso profissional pouco convencional levou-a a integrar uma das indústrias mais exigentes do mundo, tanto do ponto de vista físico como psicológico.



Uma rotina exigente no Mar do Norte

A engenheira trabalha em turnos de duas semanas consecutivas, alternando entre horário diurno e noturno. Sempre que inicia um novo ciclo de trabalho, viaja de Oslo para Bergen e, a partir daí, segue de helicóptero até à plataforma.

“Trabalho duas semanas seguidas, de dia ou de noite, e os turnos mudam sempre. Nenhum dia é igual ao outro”, explica. O início do turno acontece diariamente às 17h45, independentemente de ser de manhã ou ao final do dia.

Segurança como prioridade absoluta

Após a substituição da equipa anterior, a primeira tarefa passa por percorrer as instalações, distribuir funções e rever todos os protocolos de segurança. A segurança é tratada como prioridade máxima, com procedimentos rigorosamente controlados, uma exigência justificada pelos riscos associados à indústria petrolífera offshore.

Segundo dados citados pelo ‘El Economista’, entre 2014 e 2019 morreram 409 trabalhadores em plataformas de petróleo e gás apenas nos Estados Unidos, um número que ilustra bem a perigosidade do setor.

Para minimizar riscos, todas as tarefas são realizadas em equipa. Cada operação é supervisionada por dois profissionais, garantindo que o trabalho é executado corretamente e de acordo com as normas estabelecidas.

Salários elevados, mas com sacrifícios pessoais

O salário base, explica Amalie, não é particularmente elevado por si só. No entanto, os adicionais por turnos e o facto de trabalhar no estrangeiro fazem com que a remuneração anual varie entre cerca de 76.600 e 110.700 euros.

Apesar das condições financeiras atrativas, a engenheira deixa um aviso a quem pondera seguir o mesmo caminho. Este tipo de trabalho implica estar longe da família durante feriados, aniversários e outras datas importantes, um custo pessoal que nem todos estão dispostos a assumir.

Ainda assim, sublinha que, para quem gosta de viajar e procura uma carreira desafiante e fora do comum, trabalhar numa plataforma petrolífera pode ser uma experiência profissional extremamente gratificante.

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