Dinamarca e EUA têm hoje ‘round’ decisivo sobre Gronelândia: o que está em causa?

A reunião ocorre depois de Trump ter voltado a afirmar que a Gronelândia é vital para a segurança dos Estados Unidos e que Washington deverá assumir o controlo do território para evitar uma futura presença da Rússia ou da China

Francisco Laranjeira
Janeiro 14, 2026
7:30

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da Gronelândia reúnem-se esta quarta-feira, na Casa Branca, com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, num encontro motivado pela escalada de ameaças do presidente americano, Donald Trump, sobre uma eventual anexação da ilha ártica.

A reunião ocorre depois de Trump ter voltado a afirmar que a Gronelândia é vital para a segurança dos Estados Unidos e que Washington deverá assumir o controlo do território para evitar uma futura presença da Rússia ou da China numa região considerada estratégica e rica em recursos minerais. De acordo com a agência ‘Reuters’, Copenhaga e Nuuk pretendem usar o encontro para rejeitar formalmente essas pretensões e reafirmar a atual configuração política do território.

“Se tivermos de escolher, escolhemos a Dinamarca”

Na véspera da reunião, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou que o território autónomo prefere manter-se no Reino da Dinamarca a tornar-se parte dos EUA. Em conferência de imprensa conjunta, em Copenhaga, com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, Nielsen afirmou que a Gronelândia “não está à venda” e sublinhou a unidade política com a Dinamarca.

“Estamos a enfrentar uma crise geopolítica e, se tivermos de escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca aqui e agora, escolheremos a Dinamarca”, disse o chefe do governo gronelandês, acrescentando que o território permanece unido no seio do Reino da Dinamarca.

Esta posição surge num contexto particularmente sensível, apesar de a Gronelândia seguir, desde 1979, um caminho gradual rumo à independência, objetivo partilhado por todos os partidos representados no parlamento local.

Trump admite uso de pressão política e militar

Donald Trump tem defendido publicamente que os Estados Unidos devem assumir o controlo da Gronelândia, não excluindo mecanismos de pressão política ou mesmo militar. Autoridades da Casa Branca discutiram internamente cenários que incluem pagamentos diretos à população gronelandesa como forma de incentivar uma separação da Dinamarca.

No passado domingo, Trump voltou a insistir na ideia, afirmando que preferia chegar a um acordo, mas garantindo que “de uma forma ou de outra” os EUA ficariam com a Gronelândia, declarações que intensificaram a resposta diplomática europeia.

Copenhaga alerta para impacto na NATO

A primeira-ministra da Dinamarca reconheceu que confrontar os Estados Unidos, aliado histórico e membro central da NATO, representa um desafio político significativo. Ainda assim, Mette Frederiksen avisou que o processo poderá tornar-se mais difícil nas próximas semanas.

Frederiksen chegou mesmo a afirmar que uma invasão americana da Gronelândia significaria, na prática, o fim da NATO, numa altura em que vários líderes europeus manifestaram apoio explícito ao direito do território à autodeterminação.

Ártico no centro das preocupações de segurança

Em paralelo, a Dinamarca e a Gronelândia reforçam o eixo da segurança no Ártico. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, e a ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, têm prevista uma reunião, na próxima semana, em Bruxelas, com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, para discutir a presença da Aliança Atlântica na região.

Copenhaga planeia aumentar a sua presença militar na Gronelândia e promover exercícios com países da NATO em 2026, numa tentativa de reforçar a dissuasão e colocar o Ártico no centro da agenda de segurança euro-atlântica.

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