Porta-aviões dos EUA realiza exercícios com munição real no ‘quintal’ da China

Presença contínua de porta-aviões dos EUA no Pacífico Ocidental surge num contexto de crescente poder naval da China, que dispõe atualmente da maior frota de navios de guerra do mundo em número de unidades

Francisco Laranjeira
Janeiro 12, 2026
14:35

Um porta-aviões americano destacado no Mar da China Meridional realizou recentemente exercícios com munição real, testando os seus sistemas de autodefesa face ao aumento das capacidades militares da China, numa região estratégica para o equilíbrio de poder no Indo-Pacífico.

De acordo com a revista ‘Newsweek’, o porta-aviões ‘USS Abraham Lincoln’ e o respetivo grupo de ataque participaram em “operações de rotina” integradas nas patrulhas regulares da Marinha dos Estados Unidos, com o objetivo de dissuadir agressões e reforçar a presença militar americana na região.

A presença contínua de porta-aviões dos EUA no Pacífico Ocidental surge num contexto de crescente poder naval da China, que dispõe atualmente da maior frota de navios de guerra do mundo em número de unidades. Washington procura, assim, reafirmar o seu compromisso de segurança com aliados como o Japão e as Filipinas, preocupados com a atuação assertiva de Pequim no mar.

Os mísseis assumem um papel central na estratégia chinesa para limitar as operações militares americanas ao longo da chamada primeira cadeia de ilhas, que se estende do Japão à Malásia. As forças armadas chinesas dispõem de uma vasta gama de mísseis antinavio, incluindo armamento hipersónico capaz de atingir alvos a grande distância, incluindo, em teoria, a costa oeste dos Estados Unidos.

Exercícios com munição real e defesa de último recurso

Uma imagem divulgada pela Marinha americana mostra o ‘USS Abraham Lincoln’ a disparar um canhão Gatling de 20 milímetros, conhecido como Sistema de Armas de Defesa de Curto Alcance, durante exercícios de tiro real realizados no passado dia 8, num local não divulgado do Mar da China Meridional.

Segundo o Comando de Sistemas Navais dos EUA, este sistema é considerado a “salvaguarda máxima” em combate, funcionando como última linha de proteção contra ameaças de curto alcance, como mísseis antinavio ou aeronaves, quando estas estão a segundos do impacto.

Existem três variantes do sistema, incluindo versões baseadas em canhões, em mísseis e uma configuração híbrida, todas concebidas para reagir automaticamente a ameaças com tempos de resposta superiores às capacidades humanas. O ‘USS Abraham Lincoln’ está equipado com duas variantes do sistema Phalanx, baseadas em canhões, parte essencial do seu sistema de autodefesa. Devido ao seu formato cilíndrico, o Phalanx é frequentemente apelidado de “R2-D2”, numa referência à personagem da saga ‘Star Wars’.

Sistema já testado em combate real

O Phalanx CIWS foi recentemente utilizado em contexto operacional, quando o destroyer ‘USS Gravely’ intercetou com sucesso um míssil lançado pelos rebeldes Houthi, no Mar Vermelho, a uma distância de cerca de 1,6 quilómetros. Além deste sistema, o porta-aviões dispõe ainda de lançadores de mísseis Rolling Airframe e de mísseis Evolved SeaSparrow, capazes de neutralizar ameaças a distâncias superiores.

Baseado em San Diego, o ‘USS Abraham Lincoln’ encontra-se em missão no Pacífico desde novembro. Antes de entrar no Mar da China Meridional, operou no Mar das Filipinas e efetuou uma escala em Guam, território americano estratégico na segunda cadeia de ilhas. Um segundo porta-aviões, o ‘USS George Washington’, permanecia no seu porto de origem no Japão, segundo imagens de satélite citadas pela ‘Newsweek’.

O futuro posicionamento do ‘USS Abraham Lincoln’ permanece incerto, numa altura em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Pentágono está a avaliar “opções fortes” face à repressão violenta no Irão. Ainda não é claro se o porta-aviões poderá ser deslocado para o Médio Oriente nos próximos meses.

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