Quem o defende é Jorge Sales Marques, médico que é porta-voz nos serviços de saúde de Macau. Em entrevista à “TSF”, nesta terça-feira, disse que não usar máscara é «uma irresponsabilidade completa».
«Nós temos de pensar nos outros e não apenas em nós. Não podemos ter uma atitude egoísta de vir cá para fora fazer uma coisa que não seja urgente ou importante», reiterou.
Quanto aos números em Portugal, Jorge Sales Marques realça que são, de facto, mais baixos do que os dos países mais próximos, como Espanha, Itália e França, mas questiona: «Foram feitos testes em todos os casos ou não? Aqui em Macau posso dizer que nós fazemos imensos testes a praticamente toda a gente suspeita de estar infectada. Quando alguém chega a Macau ao aeroporto ou numa das fronteiras, é logo levado para o hospital para fazer o teste. Se o resultado for positivo fica internado na unidade de infecciosos e começa logo a fazer o tratamento com Kaletra», um tratamento para o HIV.
«Não tivemos uma única morte até ao momento. Também tivemos uma coisa muito boa que, infelizmente não acontece em Portugal: não tivemos nenhum profissional de saúde infectado», sublinhou
Segundo o médico, «a população seguiu à risca – mesmo – todas as recomendações. A seguir ao controlo de temperatura, apostaram nas máscaras. «Sei que muitas pessoas dizem que usar máscara é uma coisa cultural dos asiáticos, mas conheço bem Macau e posso dizer que, no dia-a-dia, numa situação normal, em cada 100 pessoas, vejo três ou quatro com máscara, mas neste momento estão cem por cento de pessoas com máscara.»
Foi assim desde o dia 22 de Janeiro, quando Macau confirmou o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus. Desde então, já foram distribuídas mais de 40 milhões de máscaras pela população. Em cada 10 dias, 10 máscaras. E já vai na oitava entrega. São pedidos oito cêntimos por 10 máscaras.
«Não é uma coisa cultural. É, de facto, importante porque vinte por cento das pessoas infectadas são assintomáticas e, ao contrário do que as pessoas pensam, naquele período de incubação de 12 a 14 dias, as pessoas assintomáticas nem sabem que estão infectadas nem que podem infectar os outros», lembra.
Para Jorge Sales Marques o que falta em Portugal é o controlo de temperatura. «Não está a ser feito em Portugal, embora nos aeroportos estejam a fazer um controlo maior. Podia ter ainda algum interesse, nomeadamente em locais que levam muitas pessoas, como centros comerciais.(…) Acho também que era importante fazer testes a todas as pessoas porque aqueles que não sabem que estão infectados vão infectar os outros. Interessa cortar este ciclo de infecção entre a comunidade, como nós fizemos». Em Macau, estão a ser feitos cerca de 800 mil testes por dia, exemplifica.
«Temos que prevenir o que vai acontecer. Prevenindo, evitamos. Não prevenindo, vamos sofrer», avisa ainda.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já provocou mais de 120 mil mortos e infectou mais de 1,9 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Dos casos de infecção, cerca de 402 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.
Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registam-se 567 mortos, mais 32 do que na segunda-feira (+6,%), e 17.448 casos de infecção confirmados, o que representa um aumento de 514 (+3%).
Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, encontra-se em estado de emergência desde 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril.











