2026, o ano da maturidade tecnológica

Opinião de Pedro Serra, Engineering manager na tb.lx

Executive Digest
Janeiro 9, 2026
10:10

Após um ano tão dinâmico para a tecnologia em 2025, acredito plenamente que em 2026 a tecnologia irá entrar num período de maturação. Depois de tempos de inovação sem precedentes – ferramentas de IA, automação e conectividade – o próximo ano será menos sobre experimentar e mais sobre consolidar. O disruptivo tornou-se mainstream, criando finalmente condições para as empresas, organizações e consumidores finais retirarem valor real e mensurável das soluções tecnológicas.

Assim, a IA continuará a ser o motor da transformação tecnológica, mas a questão deixa de se centrar no que é capaz de fazer, passando a focar-se no impacto real das decisões, dos processos e dos resultados. De acordo com dados da Eurostat, 20% das empresas da União Europeia utilizam tecnologias de IA, face ao registado em 2024 (13,5%). O ritmo de adoção acelerado é claro, mas sabemos que muitas empresas se têm mostrado reticentes. Esta hesitação pode desaparecer. Já assistimos a uma grande mudança na indústria quando apareceram as Application Programming Interfaces (APIs) e começaram a ser integradas com serviços. Por isso, 2026 vai trazer maturidade, no sentido de permitir aos agentes de IA a ligação a este tipo de serviços, de forma mais inteligente. A partir daqui tudo relacionado com a Internet of Things (Iot)– conectividade, ares-condicionados, robótica, veículos – vai ter ligação à IA.

Paralelamente, a evolução da conectividade irá redefinir a maneira como interagimos com as organizações, empresas ou produtos, concentrando-se em agentes de IA. Sistemas conectados vão permitir, se as empresas estiverem abertas a tal, criar produtos de forma mais rápida e com base em decisões mais informadas. Isto oferece às empresas um novo universo de possibilidades. A capacidade de ligar múltiplos pontos de dados – desde sensores de IoT a interações com clientes – permitirá, em termos operacionais, decisões mais ágeis, produtos mais relevantes e uma melhoria significativa na eficiência operacional. Ao mesmo tempo, esta conectividade traz desafios estruturais e exige coordenação entre tecnologia, telecomunicações e políticas públicas, para que os sistemas inteligentes funcionem de maneira integrada, escalável e resiliente. A Deloitte estima que o mercado global de agentes de IA atinja os 45 mil milhões de dólares em 2030. Isto acontecerá apenas se as organizações realizarem uma gestão adequada destes agentes que atuam, de forma autónoma, em sistemas empresariais. Nesta fase de maturidade, deixa de ser suficiente implementar as ferramentas, mas sim entender como consomem recursos, processam e retêm informação.

O avanço da IA aumenta também a superfície de ataque e torna os riscos mais complexos, o que adiciona mais pressão em toda a indústria. Os ciberataques tornam-se mais rápidos e sofisticados, enquanto a utilização de agentes de IA opacos levanta questões críticas de segurança e de confiança.  Se pensarmos que a maior parte da IA funciona, na prática, como uma caixa negra, torna-se evidente a dificuldade em prever de que forma os dados com que é alimentada podem vir a ser expostos em contextos de utilização maliciosa. Este desafio exige transparência por parte de quem oferece as soluções, cuidado por parte de quem as adota, e um investimento consistente em formação das equipas.

No que diz respeito à sustentabilidade, a tecnologia não poderá evoluir à sua custa. 2026 exige maturidade na utilização de data centers energeticamente responsáveis, e soluções de computação verde. Organizações que sejam capazes de combinar inovação com eficiência energética e formação de equipas terão uma vantagem competitiva, conseguindo inovar sem comprometer orçamentos ou aumentar riscos ambientais. Desta forma, a sustentabilidade emerge como um imperativo estratégico, fundamental para a competitividade a longo prazo.

O futuro da tecnologia, em 2026, não será, assim, marcado apenas por novidades tecnológicas, mas acima de tudo pela capacidade de integrar, gerir e escalar soluções de forma inteligente, segura e sustentável. Assim sendo, acredito que a palavra de 2026 será “maturidade”. Maturidade nas decisões, maturidade na inovação e maturidade na forma como instrumentalizamos a tecnologia para a criação de valor real.

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