O Wegovy em comprimido, o primeiro medicamento agonista dos recetores de GLP-1 de administração oral, começa a ser comercializado nos Estados Unidos já esta semana, marcando um novo passo no tratamento farmacológico da obesidade. A nova versão do fármaco da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk surge como uma alternativa menos invasiva às injeções e com um custo inferior para os doentes que pagam o tratamento do próprio bolso.
Os Estados Unidos tornam-se assim o primeiro país a disponibilizar a versão oral do Wegovy, depois de a Food and Drug Administration (FDA) ter dado luz verde à sua comercialização no final de dezembro.
O novo fármaco é uma versão do Wegovy já existente, utilizado no tratamento da obesidade e baseado na ação sobre os recetores de GLP-1, mas passa a estar disponível sob a forma de comprimido de toma diária, em vez da administração injetável semanal. Este novo formato é apontado como uma vantagem significativa para os doentes, por facilitar a adesão ao tratamento.
A Novo Nordisk considera este lançamento uma “boa notícia” tanto para a empresa como para o avanço no combate à obesidade, mas esclarece que ainda não existe uma data definida para a chegada do medicamento a Portugal. Ainda assim, a farmacêutica admite ser expectável que a Agência Europeia do Medicamento (EMA) venha a seguir o caminho da autoridade reguladora norte-americana.
Preços variam consoante a dosagem do comprimido
De acordo com a CNN Internacional, o Wegovy em comprimido estará disponível nas prateleiras norte-americanas até ao final desta semana, com preços mensais que variam entre os 149 dólares (cerca de 128 euros) e os 299 dólares (aproximadamente 255 euros), dependendo da dosagem prescrita.
O medicamento só poderá ser adquirido mediante receita médica. Segundo a mesma fonte, “o comprimido de toma diária custa, em regra, menos do que a injeção semanal para pacientes que pagam do próprio bolso e optam por comprar diretamente à Novo Nordisk, sem recorrer ao seguro de saúde”. A CNN Internacional sublinha ainda que o preço elevado dos medicamentos GLP-1 tem sido um obstáculo para muitos doentes, uma vez que vários planos de seguro não cobrem estes tratamentos quando utilizados para a obesidade.
A dose inicial de 1,5 mg do Wegovy em comprimido terá um custo mensal de 149 dólares (128 euros), no âmbito de um acordo recente celebrado entre a Novo Nordisk e a administração Trump. A dose de 4 mg manterá esse preço até 15 de abril, passando depois a custar 199 dólares (170 euros).
As dosagens mais elevadas, de 9 mg e 25 mg, terão um preço mensal de 299 dólares (255 euros), segundo informação avançada pela própria farmacêutica.
Em comparação, a versão injetável do Wegovy custa atualmente 349 dólares (298 euros) por mês nos Estados Unidos para quem paga o tratamento sem comparticipação, embora novos pacientes possam beneficiar de dois meses a um preço reduzido de 199 dólares (170 euros) cada, até março.
Benefícios adicionais para além da perda de peso
Para além da redução de peso, o Wegovy está também aprovado para diminuir o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e morte em adultos com excesso de peso ou obesidade e doença cardiovascular comprovada, reforçando o seu posicionamento como um medicamento com impacto relevante na saúde pública.
O lançamento do Wegovy em comprimido representa uma aposta estratégica da Novo Nordisk, que procura recuperar terreno face à concorrente norte-americana Eli Lilly, impulsionada pelo sucesso comercial do Mounjaro, destinado ao tratamento da diabetes. A Reuters recorda que a Eli Lilly aguarda uma decisão da FDA, prevista para março, sobre o seu próprio comprimido para a perda de peso.
A farmacêutica dinamarquesa garante, desta vez, estar preparada para evitar os problemas de abastecimento que marcaram o lançamento da versão injetável do Wegovy nos Estados Unidos. A empresa afirma ter acumulado um stock considerável do novo medicamento para responder à procura esperada.
A Novo Nordisk é responsável tanto pelo Wegovy como pelo Ozempic, alertando, no entanto, que este último se destina exclusivamente ao tratamento da diabetes. Ainda assim, devido à perda de peso significativa associada a estes medicamentos, a procura tem aumentado nos últimos anos, especialmente nos Estados Unidos, onde cerca de um em cada oito adultos já recorre a este tipo de tratamento, segundo uma investigação recente do grupo de reflexão norte-americano KFF, especializado em saúde.
Depois de terem sido inicialmente desenvolvidos como soluções injetáveis, estes fármacos estão agora a ser adaptados para administração oral, com o objetivo de facilitar o seu uso. Estes tratamentos foram recomendados pela Organização Mundial da Saúde como uma ferramenta no combate à obesidade, uma doença crónica associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes, determinados tipos de cancro e outras complicações, sendo considerada um dos principais desafios de saúde pública a nível global.












