Sondagem: Marcelo termina mandato aprovado, mas longe do topo na história presidencial

A menos de três meses de deixar o Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa recolhe uma avaliação globalmente positiva por parte da maioria dos portugueses, ainda que surja atrás de quatro antigos chefes de Estado quando comparado com outros presidentes da democracia.

Revista de Imprensa
Janeiro 2, 2026
9:40

A menos de três meses de deixar o Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa recolhe uma avaliação globalmente positiva por parte da maioria dos portugueses, ainda que surja atrás de quatro antigos chefes de Estado quando comparado com outros presidentes da democracia. O estudo indica que, apesar da aprovação maioritária, subsistem críticas relevantes ao modo como o Presidente tem exercido as suas funções ao longo do mandato.

Segundo uma sondagem da Pitagórica para a TVI/CNN Portugal, divulgada pela CNN Portugal, 56% dos inquiridos avaliam a atuação de Marcelo Rebelo de Sousa como positiva, enquanto 40% a consideram má ou muito má, traduzindo um saldo favorável na opinião pública, mas sem consenso absoluto quanto ao seu desempenho enquanto Presidente da República.

Quando a questão passa da avaliação para a confiança política, Marcelo surge destacado face ao atual primeiro-ministro. O Presidente da República reúne 34% das preferências dos portugueses, contra 22% atribuídos a Luís Montenegro, sendo que 32% dos inquiridos afirmam confiar igualmente em ambos. A análise sociodemográfica revela que a confiança em Marcelo é mais elevada entre mulheres, jovens dos 18 aos 24 anos, cidadãos das classes sociais C2/D, residentes na Grande Lisboa e eleitores do PS, enquanto a confiança no primeiro-ministro é maior entre homens, pessoas entre os 35 e os 44 anos, das classes A/B, residentes no Norte e eleitores da coligação AD.

Apesar desta vantagem relativa, a maioria dos portugueses entende que o chefe de Estado deveria assumir uma postura mais exigente face ao Governo. Entre os que defendem maior firmeza presidencial, que representam 78% dos inquiridos, predominam mulheres, indivíduos entre os 25 e os 34 anos, classes C2/D, residentes na região Centro e eleitores do CHEGA. Em sentido oposto, apenas 18% consideram que Marcelo não deve ser mais exigente, sobretudo homens jovens entre os 18 e os 24 anos, das classes A/B, residentes no Norte e votantes da coligação AD.

A comparação histórica com outros presidentes coloca Marcelo numa posição menos favorável. Ramalho Eanes lidera claramente as preferências, com 29% das referências, seguido de Jorge Sampaio (26%), Aníbal Cavaco Silva (15%) e Mário Soares (13%). Marcelo Rebelo de Sousa surge apenas em quinto lugar, com 11%, ficando à frente apenas de Francisco da Costa Gomes. Ainda assim, é o presidente mais referido entre os jovens dos 18 aos 24 anos, mantendo uma posição estável face à sondagem anterior, enquanto Ramalho Eanes regista uma ligeira descida, embora conserve a liderança.

O estudo avalia também a perceção dos portugueses sobre o papel do Presidente da República face ao Ministério Público em situações graves. Para 49% dos inquiridos, Marcelo tem legitimidade para pressionar publicamente o MP se existirem suspeitas sérias, incluindo casos envolvendo membros de topo do Governo. Outros 11% defendem que essa intervenção deve ocorrer apenas através de contactos reservados, enquanto 22% rejeitam qualquer tipo de pressão presidencial sobre o Ministério Público.

Por fim, a sondagem revela um amplo consenso quanto à necessidade de intervenção institucional em casos sensíveis. Uma maioria expressiva, de 73%, considera que o Presidente deve exigir esclarecimentos formais à Procuradora-Geral da República sobre as escutas envolvendo o ex-primeiro-ministro António Costa, posição contrariada apenas por 14% dos inquiridos, que discordam de qualquer interferência presidencial nesse processo.

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