«Não houve um número anormal de incumprimento», começou por apontar o primeiro-ministro, António Costa, em entrevista à rádio “Observador”, fazendo um balanço sobre as medidas mais apertadas na Páscoa, de 9 a 13 de Abril.
Costa sublinhou ainda que «as pessoas têm sido muito conscientes de que o maior apoio que podem dar aos profissionais de saúde é manterem-se isoladas».
Ainda assim, o chefe do Governo defendeu que só faz sentido levar restrições quando o «risco de contágio estiver controlado». «O processo de saída há-de ser sempre gradual e progressivo. Não podemos levantar estas medidas restritivas sem que o risco de contágio esteja controlado. Ainda não chegámos à fase de declínio da pandemia. É prematuro», considerou, lembrando que «no dia em que tirarmos estas medidas, o risco de aumento do contágio também aumenta».
«Quando começarmos a retirar as medidas o vírus ainda não desapareceu», insistiu, dizendo que o levantamento das medidas restritivas «tem de ser gradual para garantir que esse aumento nunca ultrapassa o limite do que é controlável».
Quanto a uma eventual renovação do Estado de Emergência, o primeiro-ministro admitiu algum alívio nas medidas. «Haverá algumas restrições institucionais em matéria de direitos colectivos dos trabalhadores que serão eliminadas, mas sobre as limitações à circulação e ao limite de actividades não creio que vá haver alterações», anunciou.
Já sobre uma data para o levantamento gradual de medidas, Costa apenas disse que «a generalidade das actividades não foram encerradas», desde que se mantenham em teletrabalho. Já sobre as escolas, «o calendário está definido», mas «gostaríamos que as aulas presenciais no secundário deviam começar o mais cedo possível a partir de 4 de Maio».
O governante deixou ainda um recado, referindo-se às recomendações de hoje da Comissão Europeia: «Os políticos devem ter o cuidado de evitar que a sua vontade se sobreponha ao conhecimento da ciência». «Vamos ter um país com múltiplas velocidades, regiões diferentes e pessoas com risco diferente», frisou, mais à frente.
Relativamente aos idosos, considerados um dos grupos de risco, «estabelecemos um dever de protecção social, porque são mais frágeis e podem ser contaminados. E a sua contaminação pode ter consequências mais graves», apontou, sublinhando que «o confinamento obrigatório de quem está contaminado é para protecção da sociedade, enquanto o confinamento dos idosos é por protecção individual dos próprios».
O primeiro-ministro alertou ainda que «vamos ter seguramente segundos, terceiros e quartos surtos», pois «até haver vacina ou remédio eficaz, vamos ter de conviver com a presença deste vírus». Mais à frente, reiterou: «Ainda não é o momento de começarmos a aliviar as medidas. Há fadiga, cada dia parecem dois, os custos económicos e sociais começam a sentir-se mais, mas devemos manter resiliência».
Austeridade a caminho?
António Costa defendeu que «temos de fazer tudo para que seja um episódio conjuntural que não crie danos estruturais na nossa economia e nas nossas finanças». «Proteger as empresas, empregos e rendimentos é fundamental para podermos relançar a economia», frisou. E embora não tenha comprometido a adiantar se haverão cortes salariais, o primeiro-ministro disse que «tudo o que sejam medidas de asfixia dos trabalhadores, empresas e famílias será mau». «Todas as medidas de austeridade seriam contraproducentes para a retoma da economia», defendeu ainda.
Em Portugal, segundo o último balanço da Direção-Geral da Saúde, registam-se 535 mortos, mais 31 do que no domingo (+6,2%), e 16.934 casos de infecção confirmados, o que representa um aumento de 349 (+2,1%).
O segundo período do estado de emergência para combater a pandemia de Covid-19, cujos primeiros casos em Portugal foram registados a 2 de Março, foi prolongado em 3 de Abril e termina na próxima sexta-feira.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já provocou mais de 114 mil mortos e infectou mais de 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Dos casos de infecção, quase 400 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, sendo os Estados Unidos o país que regista o maior número de mortes (23.529) e de infectados (mais de 570 mil).
*Notícia actualizada às 10:20








