A AtlasEdge inaugurou, a 28 de outubro, o data center LIS001. No evento de apresentação, Tesh Durvasula, CEO da AtlasEdge (ver entrevista), anunciou, nesse mesmo dia, que a empresa acabara de assegurar um financiamento de 253 milhões de euros para o LIS001, assim como para a construção de um segundo campus, com inauguração prevista em 2028 (o LIS002). Em conjunto, vão disponibilizar uma capacidade combinada de 21,1 megawatts (MW). De acordo com a AtlasEdge, o financiamento garantido está dividido em duas tranches e com maturidade de sete anos: a primeira, de 63 milhões de euros, para financiar a construção do LIS001 e a segunda (190 milhões) para a edificação do LIS002.
O Banco Santander e o ING atuaram como bookrunners com a participação de credores adicionais nesta operação associada a critérios de sustentabilidade, na qual o grupo neerlandês atuou como Coordenador Único de Sustentabilidade.
No mesmo evento, foi também anunciada a aquisição dos terrenos para a construção de um terceiro campus num terreno com 10.000 metros quadrados adjacente ao LIS002, que irá aumentar a capacidade total futura para 30 MW. «A inauguração de hoje demonstra o dinamismo que estamos a criar em toda a Península Ibérica – uma região com uma oportunidade significativa de crescimento. Este é um campus sustentável, estrategicamente localizado e um fator transformador para os clientes que operam no mercado português.», indicou o CEO da AtlasEdge.
Para além disso, Tesh Durvasula referiu que Portugal é um mercado-chave para a AtlasEdge e faz parte de um plano estratégico que levará a empresa a investir mais de 500 milhões de euros em território nacional nos próximos anos. Para isso, contribuíram “o dinâmico ecossistema tecnológico de Lisboa, a sua localização estratégica, a abundância de energia renovável e a localização privilegiada para a expansão da AtlasEdge”, explicou.
À margem do evento, o CEO do grupo britânico, Tesh Durvasula, falou com a Executive Digest sobre a estratégia da empresa que lidera.
Quais os vossos principais mercados?
Atualmente, estamos a operar em 11 países. Mas o nosso foco principal está na Península Ibérica e na região DACH (Alemanha, Áustria e Suíça). Só mencionei estes cinco porque são as áreas onde temos capacidade para crescer. Temos 150 MW que podemos desenvolver nesses mercados.
Quando decidiram investir em Portugal?
Decidimos há três anos. A construção de um centro de dados, desde o momento em que se toma a decisão até que esteja operacional, demora três anos.
Esse espaço temporal existe por causa da legislação, da burocracia…
Não é tanto pela burocracia. Podemos levar seis meses só para comprar um terreno. Depois, temo-nos de certificar que existe energia disponível para esse local, e isso pode demorar mais meio ano. E só depois, começa a construção. Trata-se de um grande investimento e, inclusive, alguns dos geradores que temos aqui em Oeiras vêm da Alemanha ou da Ucrânia. Temos de gerir bem a nossa cadeia de abastecimento, além de que não somos os únicos a construir, estamos a correr com outras empresas que também querem comprar geradores e, atualmente, o tempo de espera é de 56 semanas.
O mercado dos data centers é competitivo?
Sim, altamente competitivo. A concorrência é feroz.
Que lugar ocupam no ranking neste setor?
Não me preocupo com isso. Acho que estaríamos classificados de forma diferente se se olhasse para o mercado global versus o mercado em Portugal. Neste momento, somos o número um em Portugal. Nestes últimos cinco anos, assistimos à entrada de uma quantidade inacreditável de capital nesta indústria e não apenas nos data centers. Ouvimos falar da OpenAI, da Nvidia, etc. Temos um conjunto de empresas públicas que investiram muito capital e dólares em investigação e desenvolvimento. Depois temos capitais privados e públicos provenientes de empresas como a Blackstone ou a BlackRock, e investidores tradicionais de grandes infraestruturas imobiliárias que colocaram milhares de milhões de dólares neste setor. Em primeiro lugar, investiram nos Estados Unidos da América (EUA) e agora estão a fazê-lo na Europa. E, depois, há ainda a procura pelo consumidor que, se ainda não começou a usar a Inteligência Artificial, vai fazê-lo muito em breve. Portanto, temos as grandes empresas, temos o capital, temos tudo isso.
Qual a previsão de resultados para o mercado português?
Somos um negócio pequeno em comparação com alguns dos maiores que existem na América do Norte. Portanto, atualmente, geramos lucro, mas somos pequenos. O nosso objetivo é tornarmo-nos uma empresa maior, capaz de gerar lucro em mais cidades.
O mercado dos data centers e da inovação nos EUA é um pouco diferente do europeu. Como norte-americano qual é a explicação para que isso aconteça?
Os EUA têm um grande território e têm mais energia disponível, apesar da União Europeia ter mais população. Nos EUA existe um território sem restrições. No entanto, há um dado curioso com as empresas dos EUA e que pode ser ilustrado com um exemplo: mais de metade dos lucros da Microsoft vêm de fora dos EUA e, desta forma, descobriram que têm de ser grandes em qualquer lugar.
A Europa começa agora a recuperar, mas tem uma desvantagem: a densidade nos centros da cidade é muito grande e é muito difícil construir. Os EUA têm quase 250 anos de história e não há uma cidade na Europa que não tenha 750 anos, e os europeus têm de trabalhar com essas infraestruturas, certo? As coisas na Europa estão a acontecer, só que um pouco mais devagar. Há outro dado interessante, que já estamos a assistir, e que tem a ver com o aumento dos gastos na indústria da Defesa. Se, tal como o previsto, passar para 2% do PIB de cada país da NATO significa que são cerca de 1,5 mil milhões de euros por nação, que não vão ser gastos apenas em hardware, isto é, armas, balas, aviões e tanques. Também vão ser gastos em software, drones e centros de dados. Portanto, este complexo industrial militar vai ser responsável por expandir esse ecossistema de capital. Não quero ser muito político, mas as pessoas estão nervosas, o que significa que vão votar para se gastar esse dinheiro em Defesa e garantir que o senhor Putin permaneça do lado dele do mundo e não faça nada de louco.
Qual a tipologia dos vossos clientes?
Um banco, por exemplo, pode ser nosso cliente e de duas formas: vindo diretamente ter connosco ou através de um integrador de sistemas que oferecem mais serviços do que apenas hardware e software, suportando todas as aplicações, de recursos humanos a financeiras. Ou seja, oferecem um conjunto completo de serviços. Depois temos os hyperscalers e as novas empresas de inovação que estão a usar Copilot ou chips da Nvidia. Existem ainda as empresas de telecomunicações e os governos – que, geralmente vêm ter connosco através desse integrador de sistemas. Portanto, temos grandes empresas, grandes integradores de sistemas, hyperscalers e clouds, Inteligência Artificial e também empresas de telecomunicações.














