O movimento «Todos à janela» nasceu no Facebook, sob o lema «traz os tachos e as panelas, por todos, em todas as janelas», que convida a que as pessoas façam barulho nas janelas do país, entre os dias 13 e 17 de Abril às 19 horas, numa luta contra o que os promotores chamam de uma «avalanche de ataques aos direitos dos trabalhadores» em plena pandemia de Covid-19, sensibilizando para a necessidade de mais medidas de apoio social e económico.
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Um «grupo de amigos», habitualmente envolvidos em «associações, grupos de ajuda de bairro e iniciativas comunitárias» teve a ideia de se juntar, «porque entendemos que não estão a ser tomadas as medidas necessárias ao apoio das pessoas do ponto de vista social e económico», explica ao Público, Lúcia Gomes, advogada de direito laboral, envolvida na organização da iniciativa. Alguns membros fazem parte de associações partidárias, mas a advogada esclarece que a acção não se identifica com nenhum partido.
O movimento tem apresentado as suas exigências através das redes sociais, desde o dia 7 de Abril. São elas: a proibição de qualquer cessação de contrato e de prestação de serviços; a suspensão da facturação e cobrança da água, luz e telecomunicações; a suspensão das rendas de casas e comércio durante seis meses; a devolução faseada pelos bancos de 20 mil milhões de euros para financiar programas de apoio a trabalhadores de micro, pequena e médias empresas; e o impedimento da utilização do orçamento da Segurança Social para apoios a entidades empregadoras e impedimento de isenção da Taxa Social Única.
Desta forma, para defender os direitos daqueles que se encontram «a sentir na pele os efeitos mais imediatos das consequências económicas e laborais» da pandemia de Covid-19, o movimento apela aos portugueses para que «façam uma coisa tão simples como pegar num tacho, numa panela ou em qualquer outra coisa que tenham em casa» e façam barulho à janela, pelas 19 horas.
A iniciativa foi inspirada nos brasileiros, que se manifestaram contra o seu presidente, Jair Bolsonaro, através das suas janelas, batendo tachos e fazendo-se ouvir em alto e bom som, tal como a ‘Executive Digest‘ avançou na altura.
Uma das medidas mais enfatizada é a suspensão de rendas habitacionais e de comércio tradicional pelo período mínimo de seis meses. Lúcia Gomes não tem dúvidas de que ninguém que dependa de rendas para sobreviver sairia prejudicado: «Os proprietários nos grandes centros urbanos são os grandes grupos financeiros. Nós temos visto isto, a grande crise na habitação tem sido provocada por grandes financeiras. Propomos a suspensão das rendas para o pequeno comércio e para a habitação, mas ao mesmo tempo também propomos que seja criado um mecanismo de compensação para estes pequenos proprietários», refere citada pelo ‘Público’.
A advogada considera também que a banca pode desempenhar um papel fundamental na resposta à crise económica causada pelo novo coronavírus. «Qualquer medida de apoio às pessoas que estão realmente a precisar tem que ser à custa destes 20 mil milhões que desde 2009 foram entregues à banca. Está na hora de devolverem aquilo que lhes foi dado», defende.
O movimento tem partilhado nas suas páginas de Facebook e Instagram mensagens de trabalhadores de diversas áreas, desde historiadores e produtores culturais a antropólogos, sobre a situação actual do país. «Não ficará tudo bem enquanto se despedirem trabalhadores ou se impuserem dias de férias aos que estão em quarentena (…)», escreve, por exemplo, a médica Joana Carvalho.
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«As grandes empresas não perdem a oportunidade de cometer todos os abusos laborais para os de sempre não perderem o seu quinhão», condena a assistente de produção Laura Diogo.
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O protesto não pretende ficar por aqui, devendo continuar se o estado de emergência for renovado e se as reivindicações não forem respondidas. Lúcia Gomes tem consciência de que a «natureza digital» da acção a pode fragilizar, pelo «contacto pessoal, a presença, o estar na rua, o falar, é sempre muito mais sólido e sempre muito mais contínuo», mas refere: «Não tenho medo porque são pessoas que estão comprometidas com estas causas e que sempre estiveram comprometidas com a defesa destas ideias. Enquanto existirem medidas que ponham em causa a sobrevivência dos trabalhadores e das suas famílias, a gente vai continuar cá», conclui.




