Covid-19. Pandemia leva Governo a adiar entrega do Programa de Estabilidade

O Governo decidiu adiar o prazo previsto para a apresentação do Programa de Estabilidade este ano.

Executive Digest

O Governo aprovou esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, um “regime excecional e temporário” do processo orçamental, que remeterá a apresentação das Grandes Opções do Plano para o Orçamento do Estado de 2021, de acordo com as Finanças.

No comunicado do Conselho de Ministros pode ler-se que “foi aprovada a proposta de lei, a submeter à apreciação da Assembleia da República, que estabelece um regime excecional e temporário de processo orçamental, atendendo à situação económica e financeira decorrente da situação epidemiológica provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2 e da doença covid-19”.

Fonte oficial do Ministério das Finanças esclareceu à agência Lusa que se verificou ser necessário “adaptar o processo orçamental, em articulação com o calendário e as orientações no contexto do Semestre Europeu”.

Em termos práticos, a proposta de lei do Governo “traduz-se na apresentação do Programa de Estabilidade segundo as regras da anterior Lei de Enquadramento Orçamental [LEO] (Lei n.º 91/2001, de 20 de agosto) e na apresentação das Grandes Opções do Plano, incluindo a programação orçamental plurianual, com o OE para 2021”, de acordo com o ministério de Mário Centeno.

De acordo com a anterior LEO, “o processo orçamental inicia-se com a revisão anual do Programa de Estabilidade e Crescimento, elaborada pelo Governo e efetuada de acordo com a regulamentação comunitária”.

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Questionada sobre a data da apresentação do Programa de Estabilidade, que normalmente se realiza em meados de abril, fonte do ministério assinalou que, de acordo com a anterior LEO, são seguidas as indicações da Comissão Europeia, que ainda não definiu o modelo nem a data de apresentação.

A Comissão Europeia anunciou em 20 de março uma suspensão “inédita” das regras de disciplina orçamental impostas aos países da União Europeia (UE) para permitir que os Estados-membros “estimulem o quanto quiserem” as suas economias, numa altura de crise devido à covid-19.

“Hoje – e isto é inédito e nunca foi feito – acionamos a cláusula geral de salvaguarda, o que significa que os Governos nacionais podem estimular a economia tanto o quanto quiserem. Estamos a relaxar as regras orçamentais para os permitir fazê-lo”, anunciou então a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, num vídeo publicado na rede social Twitter.

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Sem dar mais informações sobre esta medida, que na prática significa impor aos países objetivos orçamentais mais ‘contidos’ em questões como o défice, suspendendo parte das recomendações para a estabilidade das contas públicas, a responsável observa na mensagem que o surto do novo coronavírus “tem um impacto dramático na economia e atinge grande parte dos setores” da UE.

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