O presidente francês, Emmanuel Macron, inicia esta quarta-feira uma visita de Estado à China de três dias, naquela que será a sua quarta visita de Estado.
Em Pequim, Emmanuel Macron será recebido pelo homólogo chinês, Xi Jinping, e são abordadas as grandes questões da parceria estratégica entre a França e a China, bem como várias grandes questões internacionais e áreas de cooperação para resolver os desafios globais do nosso tempo.
A par de Pequim, Macron também se desloca a Chengdu, no centro da China, sede de um centro de conservação para onde foram recentemente repatriados dois pandas gigantes anteriormente alojados no jardim zoológico de Beauval, em França.
De acordo com a ‘Reuters’, o presidente francês tentará projetar uma posição europeia sólida, evitando ao mesmo tempo um confronto directo que possa desencadear uma guerra comercial.
A deslocação acontece num contexto de forte pressão sobre a indústria europeia, afetada pelas exportações chinesas de baixo custo e pela crescente vantagem de Pequim em sectores estratégicos como os veículos elétricos e o processamento de terras raras. A Europa teme que a combinação entre o modelo industrial subsidiado pelo Estado chinês e as restrições comerciais impostas por Washington esteja a alterar o equilíbrio global.
Uma visita com forte peso político
Macron inicia a viagem na quarta-feira, com uma visita à Cidade Proibida, seguindo depois para encontros formais com Xi Jinping em Pequim na quinta-feira e novamente na sexta-feira, durante uma deslocação conjunta a Chengdu, na província de Sichuan. A visita ocorre poucos meses depois da passagem tensa de Ursula von der Leyen pela China, em julho, quando a presidente da Comissão Europeia alertou para um “ponto de viragem” nas relações bilaterais.
Outros líderes europeus também se preparam para testar o terreno diplomático: o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, viajarão para a China no início de 2026.
Pressões comerciais e tecnológicas em alta
As tensões comerciais estão a subir devido à vaga de exportações chinesas baratas — nomeadamente no aço — que, depois de excluídas do mercado americano, estão a pressionar vários setores industriais na Europa. As preocupações estendem-se ainda ao domínio chinês nos veículos elétricos e nos materiais críticos, considerados essenciais para a transição energética europeia.
Paris tem apoiado a estratégia da Comissão Europeia de aumentar tarifas sobre as importações chinesas de carros elétricos, posicionando-se ao lado de Bruxelas numa frente mais firme. A disputa comercial atingiu também o conhaque francês, alvo de uma investigação chinesa amplamente interpretada como retaliação, antes de Pequim conceder uma trégua.
Evitar erros do passado e manter a unidade europeia
Macron procura agora evitar a polémica gerada em 2023, quando declarações sobre Taiwan durante o voo de regresso a Paris causaram forte reação nos Estados Unidos e criaram dúvidas sobre o alinhamento francês. Analistas citados pela ‘Reuters’ defendem que o Presidente não pode voltar a dar sinais de atuação isolada, sobretudo num momento em que a Europa tenta consolidar uma posição coordenada perante a China.
Assessores do Eliseu adiantam que o chefe de Estado francês defenderá a manutenção do statu quo no Estreito de Taiwan e apelará a que Pequim evite qualquer escalada, após recentes declarações japonesas sobre a ilha terem provocado tensão diplomática.
Europa prepara nova doutrina económica para conter riscos
Antes da viagem, os conselheiros de Macron sublinharam que Paris pretende um “reequilíbrio” nas relações comerciais, incentivando a China a reforçar o consumo interno e a partilhar mais amplamente os ganhos tecnológicos. A União Europeia deverá, entretanto, revelar uma nova doutrina de segurança económica, concebida para permitir ao bloco utilizar de forma mais agressiva os instrumentos comerciais em resposta às práticas de Pequim.
Apesar da relevância económica da visita, fontes da indústria consideram improvável que a Airbus consiga fechar durante esta deslocação a encomenda de até 500 aviões que tem sido negociada com Pequim, um dossier que, além do impacto direto no setor, reforça o poder negocial da China face a Washington, que tenta assegurar novos compromissos de compra para a Boeing.






