Randstad faz radiografia ao retalho em Portugal: Setor emprega quase meio milhão de pessoas e reforça peso na economia nacional

A Randstad Research divulgou uma radiografia atualizada ao mercado de trabalho no comércio a retalho, setor que continua a afirmar-se como um dos grandes motores da economia portuguesa.

André Manuel Mendes

À entrada da Black Friday, um dos períodos de maior intensidade para o consumo e para o emprego sazonal, a Randstad Research divulga uma radiografia atualizada ao mercado de trabalho no comércio a retalho, setor que continua a afirmar-se como um dos grandes motores da economia portuguesa.

Em 2024, o Comércio e Reparação de Veículos representou 14,8% do emprego total em Portugal, reunindo 767,2 mil trabalhadores. Dentro deste universo, o comércio a retalho – dedicado à venda direta ao consumidor – é a atividade dominante: emprega 479,8 mil profissionais, o equivalente a 62,4% do setor, de acordo com dados da Eurostat relativos ao segundo trimestre de 2025. A evolução mantém-se positiva, com uma subida trimestral de 0,4% e um crescimento sustentado nos últimos anos.

Depois de ter sido fortemente penalizado pela pandemia, com uma quebra de 6,8% no emprego em 2020, o retalho recuperou de forma consistente a partir de 2021. Em 2023, o setor contava 123.900 empresas e perto de meio milhão de trabalhadores. As atividades de retalho de outros produtos e os estabelecimentos não especializados – como hipermercados, supermercados e grandes armazéns – lideram o mercado, sendo este último segmento o maior empregador, com 161,6 mil trabalhadores.

A radiografia da Randstad Research destaca ainda que o retalho é um setor maioritariamente feminino: 60,5% dos profissionais são mulheres. A qualificação tem também aumentado, com trabalhadores qualificados e semiqualificados a representarem 67,3% do total, enquanto apenas 5,1% desempenham funções não qualificadas. A valorização salarial acompanha esta evolução: segundo o INE, o salário médio mensal passou de 1.028 euros em junho de 2015 para 1.539 euros em junho de 2025 – uma subida de 50% em dez anos.

A dinâmica do emprego no setor continua marcada pela forte sazonalidade. Os picos de contratação ocorrem nos meses de inverno, com especial incidência na Black Friday, Natal e período de devoluções e saldos. Os meses de verão registam os valores mais baixos.

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Para Pedro Empis, Diretor de Soluções de Talento Operacional da Randstad Portugal, “a atividade de comércio a retalho tem demonstrado uma capacidade de resiliência excecional ao longo dos últimos anos. Depois de ter sido um dos setores mais penalizados pela pandemia, o retalho conseguiu recuperar o seu dinamismo e voltar a afirmar-se como um dos grandes motores do emprego em Portugal. Hoje, emprega quase meio milhão de pessoas, sustentado por uma base maioritariamente feminina e composta por profissionais cada vez mais qualificados, o que reflete não apenas a importância social do setor, mas também a sua evolução estrutural.”

 

Procura por trabalhadores dispara na época da Black Friday

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A Black Friday consolidou-se como um dos períodos mais decisivos para o retalho, impulsionando tanto as vendas como a contratação temporária. A forte concentração de consumo e de campanhas promocionais intensifica a procura de mão-de-obra nas lojas, na logística e na indústria alimentar.

Segundo dados da Randstad Portugal, a procura de talento durante a época alta – que engloba Black Friday, Natal e o período de devoluções – aumentou este ano entre 10% e 30% face a 2024, dependendo do setor. O retalho continua a liderar esta tendência, seguido da indústria alimentar e da logística, que reforçam equipas para dar resposta ao pico sazonal de atividade.

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