Portugal ‘conquistou’ Ormuz com poucos meios: saiba porque os EUA não conseguem fazer o mesmo

Num fim de semana marcado por tensão no Médio Oriente, esta comparação histórica levanta mais perguntas do que respostas — e ajuda a perceber melhor o que está realmente em jogo no estratégico Estreito de Ormuz

Francisco Laranjeira

Será que faz sentido comparar a atual operação militar dos Estados Unidos contra o Irão com a conquista de Ormuz pelo Império Português no século XVI? A dúvida está a circular nas redes sociais — mas a resposta, segundo especialistas ouvidos pela ‘Euronews’, está longe de ser linear.

Num fim de semana marcado por tensão no Médio Oriente, esta comparação histórica levanta mais perguntas do que respostas — e ajuda a perceber melhor o que está realmente em jogo no estratégico Estreito de Ormuz.

Uma comparação viral… mas com falhas

A ideia que circula online sugere que Portugal, com menos meios, conseguiu resultados mais eficazes em Ormuz do que os Estados Unidos atualmente. Mas os historiadores alertam: as duas realidades são profundamente diferentes.

No século XVI, a conquista de Ormuz fazia parte de uma estratégia bem definida de controlo das rotas marítimas. Hoje, o cenário é outro: a intervenção americana surge num contexto de conflito direto com o Irão, com consequências globais imediatas.

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A estratégia portuguesa: controlar o ponto-chave

Em 1515, Afonso de Albuquerque consolidou o controlo português sobre Ormuz com uma operação relativamente limitada: cerca de 27 navios e pouco mais de dois mil homens.

O objetivo não era conquistar territórios vastos, mas dominar um ponto estratégico essencial para o comércio — uma ilha que funcionava como “chave” de entrada e saída do Golfo Pérsico.

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Essa presença permitiu aos portugueses influenciar rotas comerciais durante mais de um século, embora sem nunca controlar totalmente a região.

EUA com mais meios… mas menos controlo

Já a operação atual dos Estados Unidos mobiliza uma escala incomparável: dezenas de navios, mais de uma centena de aeronaves e mais de 50 mil militares na região.

Os custos também são incomparáveis — estimativas apontam para dezenas de milhares de milhões de dólares em poucas semanas.

Ainda assim, os resultados estão longe de ser claros. Segundo especialistas, Washington enfrenta um impasse estratégico, sem conseguir atingir plenamente os seus objetivos, ao mesmo tempo que agrava tensões globais.

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Ormuz continua a ser o “ponto crítico” do mundo

Há um elemento que liga passado e presente: a importância geográfica do Estreito de Ormuz.

Tal como no século XVI, quem controla — ou ameaça — esta passagem tem impacto direto no comércio global. Hoje, isso traduz-se sobretudo no mercado energético, com efeitos imediatos nos preços do petróleo, inflação e estabilidade económica.

Tecnologia mudou… e equilibrou o jogo

Outra diferença essencial está na tecnologia. No tempo dos portugueses, a superioridade naval europeia era clara e decisiva.

Hoje, o cenário é mais complexo. Mesmo com menor poder militar, o Irão consegue criar dificuldades significativas, recorrendo a tecnologias mais simples e acessíveis, como minas ou ataques assimétricos.

Isso torna o controlo da região muito mais difícil, mesmo para uma potência como os Estados Unidos.

Risco global: economia, energia e segurança

As consequências da atual crise já se fazem sentir: disrupções económicas, subida dos preços da energia e tensões diplomáticas.

Há ainda o risco de um precedente perigoso: se outros países replicarem bloqueios ou intervenções em estreitos estratégicos, o impacto global poderá ser ainda mais grave.

A História ajuda… mas não dá respostas

Para os historiadores, a principal lição é clara: a História pode ajudar a compreender, mas não oferece soluções diretas.

Comparar contextos tão distintos pode ser útil para reflexão — mas não substitui a análise das realidades atuais.

E, neste caso, a conclusão parece inevitável: Ormuz continua a ser decisivo… mas as regras do jogo mudaram profundamente.

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