Covid-19 ameaça duplicar fome no mundo

Multinacionais apelam à abertura de fronteiras e para que seja mantido o comércio livre de forma a evitar uma potencial crise alimentar.

Executive Digest

A Nestlé, a PepsiCo e algumas das maiores multinacionais alimentares, juntamente com a Organização das Nações Unidas, alertaram para o risco do aumento da fome crónica a nível mundial no mundo, como consequência do novo coronavírus.

Numa carta intitulada «Apelo à Ação de Líderes Mundiais» publicada esta quinta-feira, as empresas explicam aos líderes mundiais que o fornecimento de alimentos pode ser «massivamente interrompido» devido às medidas implementadas para conter a propagação da Covid-19. Por isso, apelam à abertura de fronteiras, para que seja mantido o comércio livre de forma a evitar uma potencial crise alimentar e instam os líderes mundiais a tomarem «medidas urgentes e coordenadas para impedir que a pandemia da Covid-19 se transforme numa crise alimentar e humanitária global».



«O risco de grandes interrupções no fornecimento de alimentos nos próximos meses está a aumentar, especialmente para os países importadores de baixo rendimento, muitos dos quais estão na África Subsaariana», avisam.

As multinacionais destacam ainda o número de pessoas que sofre de fome crónica, estimado em mais de 800 milhões antes da crise do novo coronavírus, prevendo mesmo que pode «aumentar drasticamente» para o dobro. «Não seria difícil de imaginar cenários nos quais o número de pessoas que sofre diariamente de fome, estimadas em mais de 800 milhões, duplique nos próximos meses, com um enorme risco de aumentar a desnutrição e o nanismo infantil», pode ler-se.
As empresas defendem ainda que «o sistema alimentar actual é frágil, devido ao investimento insuficiente, ao esgotamento excessivo dos recursos naturais e à má alocação de mais de 700 mil milhões de dólares em medidas de apoio anuais».

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 83 mil.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o último balanço da Direção-Geral da Saúde, registaram-se 380 mortes e 13.141 casos de infecções confirmadas.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, encontra-se em estado de emergência desde a meia-noite de 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril, depois do prolongamento aprovado há uma semana na Assembleia da República.

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