Parques Empresariais transformam-se em ecossistemas de colaboração e inovação

As empresas estão a pedir mais serviços que promovam a qualidade de vida dos parques empresariais. Os responsáveis do Taguspark e Lagoas Park explicam o que está a mudar naqueles espaços.

Filipe Gil
Dezembro 16, 2025
12:32
Eduardo Baptista Correia, CEO do Tagus­park

 

O setor encontra-se em transforma­ção». Eduardo Baptista Correia, CEO do Tagus­park é taxativo ao avaliar o atual estado do negó­cio dos parques empresariais em Portugal. A mudança deve-se, sobre­tudo, ao que as empresas procuram e que vai muito além de meros locais de trabalho, justifica. «Anteriormente as empresas queriam espaço físico, hoje querem ecossistemas que promovam colaboração, inovação e qualidade de vida», explica e acrescenta que o mercado não está saturado, mas exige «visão estratégica e uma necessidade de apostarem na integração entre ciência, tecnologia e talento pois serão os que terão futuro».

 

 

Frederico Mondril, diretor de offices propriety managment da CBRE

 

Frederico Mondril, diretor de Offices Propriety Managment da CBRE, que gere o Lagoas Park, outro dos maiores parques empresariais da região de Lis­boa, indica que o negócio tem futuro em Portugal, mas ressalva que o seu sucesso depende da forma como são concebidos e posicionados. «É fundamental integrar dimensões como a sustentabilidade, a tecnologia, os espaços verdes, as áreas desenhadas para promover colabo­ração, bem como uma programação ativa de eventos comunitários e a oferta de serviços complementares – como restauração, ginásios e soluções de bem-estar». Além disso, aponta como essencial manter os fatores que sempre estiveram na base do negócio: «A boa acessibilidade rodoviária, a proximidade a grandes centros urbanos, uma rede de transportes públicos eficiente e rendas competitivas». Para o responsável, estes eixos são determinantes para garantir a atratividade e sustentabilidade a longo prazo, considerando que «existe potencial para o desenvolvimento de novos parques empresariais em Portugal».

 

 

SERVIÇOS ATRATIVOS
Na busca de clientes, atuais e futuros, tanto o Lagoas Park como o Taguspark têm investido em melhorias nas infraestruturas. Frederico Mondril explica que, nos últimos cinco anos, o Lagoas Park apostou na «experiência do utilizador». Nesse âmbito, o parque que conta com uma taxa de ocupação acima dos 90%, reabilitou as zonas co­muns de dez edifícios, a praça central e galeria comercial, «além de uma nova zona comum exterior, pensada para ser vivida e aproveitada por quem visita e trabalha no local». O parque de empresas lançou também uma aplicação móvel com informação e serviços, como aulas de yoga, por exemplo.

«É FUNDAMENTAL INTEGRAR DIMENSÕES COMO A SUSTENTABILIDADE, A TECNOLOGIA, OS ESPAÇOS VERDES, AS ÁREAS DESENHADAS PARA PROMOVER COLABORAÇÃO», FREDERICO MONDRIL, LAGOAS PARK

Por sua vez, Eduardo Baptista Cor­reia acredita que a diferenciação do Taguspark advém das infraestruturas modernas, da conetividade, eficiência energética e serviços de apoio. «O Ta­guspark diferencia-se pela integração de: universidades e centros de I&D no mesmo campus; espaços culturais e ar­tísticos, como o museu de Arte Urbana, a residência Artística, exposições de arte bimensais; serviços diversificados (res­tauração, mercado tradicional semanal, teatro e espetáculos, escola internacional desde berçário até secundário, saúde, vigilância 24h) e ainda a aposta na mobilidade elétrica.»

O Taguspark registou uma faturação global de 11,4 milhões de euros em 2024 e, nos primeiros seis meses de 2025, ultrapassou os 6,5 milhões de euros, «o que dá bons indicadores para um ano em trajetória ascendente». O responsável pelo negócio explica que os setores com maior predominância são as áreas de tecnologias de informação, telecomu­nicações, saúde, energia, consultoria e serviços de engenharia, mas existe também uma forte representação de setores emergentes ligados à mobilidade inteligente, inteligência artificial e sus­tentabilidade. Já o Lagoas Park, que não revelou à Executive Digest os valores de faturação, destaca que os setores tecnológico e farmacêutico/saúde — que ocupam, respetivamente, 38% e 16% da área total do parque — continuam a ser os predominantes. A presença do setor automóvel também sobressai, com seis empresas que escolheram o Lagoas Park para sua “casa”.

ESPAÇO PARA CRESCER?
Apesar das alterações sentidas no negó¬cio, o Lagoas Park não tem planos para crescer, segundo Frederico Mondril. «Mantemos disponibilidade para dar resposta a novos ocupantes, e, simul­taneamente, assegurar o crescimento dos atuais, mas não existe intenção de expandir através de construção de novas áreas». O foco tem sido o inves­timento na modernização e melhoria dos espaços existentes, que permite, indica, acompanhar de forma contínua as tendências e exigências do mercado de escritórios, explica.

Em sentido inverso, o Taguspark, que tem atualmente uma taxa de ocupação na ordem dos 87%, «e elevada procura» continua, por isso, a ser um pólo com margem de crescimento e diversificação. «Existem áreas de expansão previstas e capacidade de acolher novas empresas (atualmente estão instaladas cerca de 190), tanto em edifícios já existentes como em projetos chave-na-mão», esclarece o CEO do parque.

«EXISTEM ÁREAS DE EXPANSÃO PREVISTAS E CAPACIDADE DE ACOLHER NOVAS EMPRESAS», EDUARDO BAPTISTA CORREIA, TAGUSPARK

Ainda sobre as alterações no modelo de negócio, Eduardo Baptista Correia relembra que a pandemia acelerou a flexibilização dos espaços e modelos de trabalho, «o Taguspark adaptou-se disponibilizando soluções de escritórios flexíveis e hubs colaborativos, para empresas que procuram reduzir a área ocupada sem abdicar da centralidade e do prestígio da sede. Este modelo híbri­do veio para ficar e o nosso parque está preparado para o acompanhar». Por sua vez, Frederico Mondril prefere focar-se no presente e diz que a gestão atual do Lagoas Park e dos ocupantes está hoje centrada «na experiência do utilizador, com o objetivo de aumentar a atrativi­dade do espaço de trabalho e incentivar os colaboradores a ir ao escritório e a integrar-se na vida e na comunidade envolvente. Acreditamos que este é o verdadeiro catalisador para reforçar os níveis de ocupação nos escritórios. Esta estratégia de reposicionamento tem vindo a fomentar uma comunidade equilibrada, que promove a harmonia entre vida profissional e pessoal. É um ambiente onde as pessoas se sentem valorizadas e parte de algo maior».

O FUTURO DO NEGÓCIO
Frederico Mondril acredita que o futuro do Lagoas Park passa por continuar a investir nas suas infraestruturas, com foco no aumento da eficiência e da sustentabilidade do ativo, nomeadamente através de um projeto de instalação de painéis solares em todos os edifícios do parque. «Pretende-se, igualmente, dar continuidade ao processo de certificação BREEAM In-Use, com o objetivo de certificar 100% do parque nos próximos dois anos. Este é um trabalho prioritário, que reforça o compromisso do Lagoas Park com um futuro mais verde e sustentável», adianta.
Eduardo Baptista Correia aponta que o caminho futuro do Taguspark passa pelo desenvolvimento de novos edifício e espaços verdes, pela «aposta na rede de carregamento elétrico e ciclovias, na expansão do centro de inovação da incubadora e a valorização do espaço público com intervenções artísticas e ainda a construção do Museu Coleção António Prates».

 

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