Apagões, pressão política e corrupção no seu círculo íntimo: o inverno mais sombrio de Zelensky

Presidente ucraniano está no centro de um turbilhão político que pode fazê-lo cair

Francisco Laranjeira
Novembro 21, 2025
12:51

Volodymyr Zelensky enfrenta um dos períodos mais delicados desde o início da invasão russa, quase quatro anos após o primeiro ataque. De acordo com o ‘El Mundo’, o presidente ucraniano lida agora com um ambiente político cada vez mais instável, marcado por pressões internas do seu próprio partido e por um escândalo de corrupção que abalou o núcleo mais próximo da presidência.

A investigação centra-se num esquema de subornos superiores a 100 milhões de dólares ligados ao sector energético estatal, envolvendo a empresa nuclear Energoatom e figuras com forte proximidade ao presidente. Entre os principais visados surge Timur Mindich, sócio de Zelensky e cofundador da sua produtora, acusado de organizar um sistema em que contratados pagariam comissões de 10% a 15% através de empresas de fachada.

A revelação do caso abriu uma grave crise de confiança. Alguns ministros foram afastados, deputados do partido Servo do Povo pediram um Governo de unidade nacional e aliados ocidentais alertaram para a necessidade de uma resposta firme. Zelensky garantiu não ter envolvimento direto e prometeu reformas estruturais e uma auditoria ao setor, mas setores da Rada [Parlamento ucraniano] exigem medidas mais duras, incluindo a demissão de Andrii Yermak, o influente chefe de gabinete.

Pressão política aumenta sobre o presidente

A figura de Yermak, considerado o principal executor político de Zelensky e responsável por uma vasta concentração de poder, tornou-se o principal foco das exigências parlamentares. Vários deputados avisaram que, se o presidente não afastar Yermak, rejeitarão o orçamento de 2026, forçando o país a operar com o documento de 2025.

A oposição, liderada pelo ex-presidente Petro Poroshenko, reforçou a pressão ao exigir a queda do Governo e a formação de um executivo de unidade nacional, à semelhança do que Winston Churchill conduziu durante a II Guerra Mundial. Apesar das tensões, o processo anticorrupção é visto internamente como um sinal de funcionamento das instituições num país em guerra.

Bombardeamentos russos agravam crise energética

A Ucrânia enfrenta simultaneamente a intensificação dos ataques russos às infraestruturas energéticas. Os bombardeamentos provocaram destruição alargada e levaram a cortes de eletricidade que chegam a 16 horas por dia no auge do inverno. Sem energia, o abastecimento de água falha e o aquecimento fica comprometido, obrigando milhares de ucranianos a procurar refúgio temporário na União Europeia ou a regressar ao campo, onde as tradicionais hatas aquecidas a lenha permitem enfrentar o frio intenso.

Frente de batalha sob pressão e avanço russo contínuo

Na frente de combate, a situação mantém-se crítica. A Ucrânia controla Pokrovsk e Mirnograd, cidades quase cercadas pelo exército russo, mas enfrenta escassez de infantaria para manter as posições defensivas entre Dnipro e Zaporizhzhya. A ausência de grandes centros urbanos nesta zona facilita o avanço russo, que sofre menos baixas do que em áreas densamente povoadas. O próximo objetivo de Moscovo é Huliaipole, em Zaporizhzhya, cidade que resistiu em 2022 e volta agora a estar na linha de fogo.

Guerra prolongada dependerá da capacidade económica russa

A única perspetiva de Kiev para uma resolução da guerra em 2026 passa pelo desgaste económico da Rússia. Para esse fim, a Ucrânia intensifica ataques noturnos com drones e mísseis contra a indústria de petróleo e gás russa, tentando limitar a capacidade de Moscovo para sustentar o esforço militar.

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