Termina esta sexta-feira o período de candidaturas da Agência Espacial Europeia (ESA) para o programa Living Planet Fellowship, destinado a jovens investigadores com doutoramento que desenvolvam trabalho em instituições dos Estados Membros, entre os quais Portugal. A iniciativa pretende apoiar a nova geração de cientistas nas áreas da Observação da Terra, Sistema Terrestre e Ciência Climática, anunciou a ESA em comunicado.
O objetivo passa por maximizar o impacto científico das missões europeias de Observação da Terra e dar resposta aos desafios identificados na nova estratégia da agência, Earth Science in Action for Tomorrow’s World. As candidaturas decorrem em duas fases e estão abertas até esta sexta-feira no website oficial da ESA.
Processo de candidatura em duas fases
Na primeira fase, os candidatos devem submeter uma proposta científica acompanhada de uma lista de publicações, uma carta de apoio da instituição de acolhimento e duas cartas adicionais assinadas por cientistas seniores da área. As propostas serão avaliadas segundo critérios científicos e técnicos, tendo em conta a qualidade do projeto e o mérito do candidato.
Segue-se uma avaliação por um painel científico, que considerará a experiência do investigador e da instituição, a relevância para os objetivos da ESA, a inovação metodológica e o potencial impacto dos resultados. Os resultados serão divulgados em janeiro de 2026.
Os selecionados avançam então para a segunda fase, na qual devem submeter uma versão atualizada da proposta científica, refletindo eventuais alterações acordadas com a ESA. Nesta etapa será celebrado um contrato de dois anos, com financiamento até 200 mil euros para a execução do projeto.
Investigação independente e colaboração internacional
Entre os exemplos de bolsas anteriores está o de Carlo Arosio, investigador que participou no programa em 2019 e estudou o impacto das alterações climáticas na recuperação do ozono. “O que mais gostei foi a flexibilidade da ESA e o apoio que recebemos”, afirmou no website da agência, destacando que a bolsa lhe deu “a oportunidade de gerir um projeto de forma independente e de colaborar com outros grupos de investigação”.
Após a conclusão da bolsa, o investigador prosseguiu o seu trabalho pós-doutoral na Universidade de Bremen, em colaboração com a ESA.
Áreas prioritárias de investigação
As propostas de investigação devem ter a duração de dois anos e enquadrar-se em pelo menos uma das quatro áreas estratégicas definidas pela ESA:
Avanço de métodos e técnicas de Observação da Terra — Projetos focados no desenvolvimento de novos algoritmos, técnicas de processamento e produtos baseados em dados de satélite, aplicáveis a missões como as Sentinel ou Earth Explorers.
Ciência do Sistema Terrestre e Ciência Climática — Estudos que aprofundem o conhecimento sobre o sistema climático e respondam a desafios científicos globais, contribuindo para as prioridades das comunidades internacionais.
Simulações do sistema terrestre e ciência da previsibilidade — Projetos que combinem dados de Observação da Terra com modelos avançados e técnicas de Inteligência Artificial, para melhorar a simulação dos componentes do sistema terrestre.
Apoio ao Programa de Utilizadores Sentinel — Investigação voltada para as futuras missões Copernicus Sentinel Expansion e Next Generation, com foco no desenvolvimento de métodos e produtos baseados em dados simulados ou campanhas no terreno.
A ESA sublinha que o programa Living Planet Fellowship é um instrumento essencial para impulsionar a inovação científica europeia na área da Observação da Terra e consolidar a colaboração entre jovens investigadores e as principais instituições espaciais da Europa.













