Europa alerta Trump: paz na Ucrânia sim, cedências territoriais à Rússia não

Os principais líderes europeus e aliados de Kiev emitiram esta terça-feira um aviso firme, ainda que diplomático, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após as suas declarações sobre a guerra na Ucrânia. Apesar de apoiarem o apelo do presidente norte-americano para pôr fim imediato aos combates, os líderes rejeitaram qualquer sugestão de concessões territoriais a Moscovo.

Pedro Gonçalves
Outubro 21, 2025
11:27

Os principais líderes europeus e aliados de Kiev emitiram esta terça-feira um aviso firme, ainda que diplomático, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após as suas declarações sobre a guerra na Ucrânia. Apesar de apoiarem o apelo do presidente norte-americano para pôr fim imediato aos combates, os líderes rejeitaram qualquer sugestão de concessões territoriais a Moscovo.

Num comunicado conjunto assinado pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, pelo presidente francês, Emmanuel Macron, pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, entre outros líderes europeus, o grupo declarou-se “unido no desejo de alcançar uma paz justa e duradoura”. Segundo o documento, os signatários “apoiam fortemente a posição do presidente Trump de que os combates devem cessar imediatamente”, reconhecendo que a atual linha de contacto poderia servir como base inicial para negociações. No entanto, advertiram que “as fronteiras internacionais não devem ser alteradas pela força”, numa clara referência à abertura de Trump em aceitar a consolidação das posições russas nos territórios ocupados.

A declaração conjunta surge a poucos dias de uma reunião crucial do Conselho Europeu, agendada para quinta-feira, onde os líderes vão discutir a utilização dos ativos russos congelados para financiar a reconstrução da Ucrânia e avaliar o reforço das sanções contra Moscovo. Posteriormente, Zelensky e os membros da chamada “Coligação dos Dispostos” deverão reunir-se na sexta-feira em Londres, com o objetivo de coordenar o apoio militar e financeiro ao país.

As declarações de Trump, feitas no domingo à noite, voltaram a gerar controvérsia. O presidente norte-americano defendeu que a guerra fosse “congelada” nas atuais linhas de combate — uma proposta que deixaria Moscovo no controlo de vastas áreas de território ucraniano. A linha da frente divide atualmente a região industrial do Donbass, no leste da Ucrânia, onde os combates permanecem intensos.

Essas declarações surgem poucos dias depois de uma reunião tensa na Casa Branca entre Trump e Zelensky. Segundo uma fonte próxima do encontro, o presidente norte-americano terá sugerido que Kiev considerasse ceder parte do seu território à Rússia para pôr termo ao conflito. Mais tarde, Trump negou ter proposto a entrega de toda a região do Donbass, afirmando apenas que “a região deveria permanecer tal como está”. “Acho que 78% do território já está nas mãos da Rússia. Devemos deixá-lo exatamente como está neste momento”, declarou.

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