Numa frente de batalha ‘saturada’ de drones russos, os soldados ucranianos estão a mobilizar veículos blindados ágeis e controlados remotamente para realizar tarefas críticas e proteger pessoal de operações perigosas.
As Forças Armadas da Ucrânia estão particularmente interessadas em utilizar estes “robôs sobre rodas”, semelhantes a tanques em miniatura, numa altura em que lida com escassez de soldados num conflito que já dura há mais de três anos e meio. Essas máquinas versáteis são capazes de transportar abastecimentos essenciais, remover minas perigosas e evacuar feridos e mortos.
“Não pode substituir completamente as pessoas”, apontou o comandante de um pelotão da 20ª Brigada Lyubart, mais conhecido como ‘Miami’. “Colocaria as coisas desta forma: uma pessoa pode entrar lá, mas para um humano é (às vezes) perigoso demais.”
Os veículos robóticos são fabricados principalmente por empresas ucranianas e o seu custo varia de cerca de 1.000 e 64.000 mil dólares, conforme o tamanho e as capacidades. Embora se tenham tornado vitais para as tropas ucranianas ao longo da linha de frente de 1.000 quilómetros, esses veículos não são novidade na guerra.
O exército alemão utilizou um tanque em miniatura controlado remotamente – preso por um fio – chamado Golias na II Guerra Mundial. Nas últimas décadas, EUA, Israel, Grã-Bretanha e China desenvolveram versões modernas usadas em engenharia de combate e outras funções no campo de batalha, de acordo com Ben Barry, investigador do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, citado pelos britânicos do ‘The Independent’. No entanto, aampla utilização desses veículos pela Ucrânia é notável e pode levar a avanços
‘Miami’ ingressou no exército ucraniano no primeiro dia da invasão em larga escala da Rússia, em fevereiro de 2022. Serviu como soldado de infantaria e, posteriormente, como operador de drones antes da sua última missão. A sua trajetória reflete a evolução da própria guerra. “Eu nem imaginava que me tornaria piloto (de drones)”, disse. “Mas a guerra é um progresso, e não podemos ficar de fora.”
Os veículos robóticos utilizados pela sua equipa são blindados e montados sobre rodas ou esteiras. Pintados com cores militares, rastejam lentamente sobre escombros ou estradas de terra, navegando facilmente por terrenos que seriam difíceis – ou muito perigosos – para os soldados.
A equipa de 10 homens de Miami está apenas a começar a incorporar as máquinas nas suas missões, usando-as principalmente para entregar comida e munição aos soldados perto da linha de frente.
Numa missão recente, a equipa carregou 200 quilos de abastecimentos — munição, combustível, água e comida — e enviou-os para operadores de drones, a quilómetros de distância, mais próximos da linha da frente. A máquina avançou a cerca de seis quilómetros por hora, depositou sua carga num local bem escondido na floresta e regressou à base.
Como os veículos robóticos movem-se mais lentamente do que carros ou camiões, e geralmente em terrenos abertos, eles são um alvo fácil — e esse é um fator que atrasa a sua adoção. “É por isso que não evacuamos muitos feridos (nesses veículos)”, apontou ‘Miami’.














