Melhores serviços públicos ou impostos mais baixos: saiba o que os portugueses estão dispostos a sacrificar

Quatro em cada dez cidadãos (39%) da UE consideram que os impostos são demasiado elevados e apoiam reduções fiscais, mesmo que isso implique menos serviços públicos ou de menor qualidade

Francisco Laranjeira

Quatro em cada dez cidadãos (39%) da UE consideram que os impostos são demasiado elevados e apoiam reduções fiscais, mesmo que isso implique menos serviços públicos ou de menor qualidade. O que coloca as questões: pagariam impostos mais elevados por melhores serviços públicos ou aceitaria serviços de pior qualidade face a contribuições mais baixas? Os europeus estão divididos, mas com um tendência a favor da redução dos impostos.

“As dificuldades económicas que a Europa atravessa atualmente podem explicar esta deterioração do apoio ao aumento dos impostos”, referiu Olivier Jacques, professor assistente da Universidade de Montreal, à ‘Euronews Business’. Por outro lado, mais de um quarto (27%) dos cidadãos da UE apoia “o pagamento de impostos mais elevados para obter mais e melhores serviços públicos”. Uma proporção semelhante (26%) dos inquiridos apoia os atuais níveis de impostos e serviços públicos. Os restantes 8% não têm a certeza.

As conclusões do Eurobarómetro, realizado em abril último, apontaram variações significativas entre cidadãos dos diferentes países da UE.

Eslováquia (59%), Croácia (57%), Estónia (53%) e Eslovénia (50%) integram a lista de países onde muitos afirmam que os impostos são demasiado elevados e que devem ser reduzidos, mesmo à custa dos serviços públicos. O apoio é também de 45%, ou mais, na Grécia e na Roménia (48%), na Polónia (47%), e na Bélgica, Letónia e Hungria (45%). Em Portugal, essa opção mereceu o apoio de 37% dos inquiridos.

Dimitri Gugushvili, investigador na Universidade KU Leuven (Bélgica), salientou que, geralmente, os cidadãos opõem-se a mais impostos se desconfiarem do Governo e suspeitarem que os fundos extra estão a ser utilizados de forma abusiva pelos funcionários públicos. “Existe uma enorme diferença na confiança perante as instituições públicas em toda a Europa, sendo a confiança política mais elevada na Escandinávia e mais baixa na Europa de Leste, especialmente na Bulgária e na Roménia”, afirmou.

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A Finlândia (22%), a Suécia (24%) e a Dinamarca (26%) – os três países nórdicos – são os que menos apoiam a redução de impostos em detrimento dos serviços públicos. Alemanha (40%), França (37%) e os Países Baixos (39%) estão próximos da média da UE (39%).

Em geral, os países da Europa Central e Oriental inclinam-se muito mais para a redução dos impostos em detrimento dos serviços. Os países da Europa do Norte e Ocidental estão menos dispostos a reduzir os serviços públicos.

“O apoio à tributação é mais elevado quando as pessoas têm a perceção de que os serviços públicos que recebem em troca dos seus impostos são de maior qualidade ou quando mantêm elevados níveis de confiança nas instituições governamentais”, destacou Jacques.

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Que países estão dispostos a pagar mais?

Apenas 27% dos inquiridos na UE apoiam “impostos mais elevados para mais ou melhores serviços públicos”. Espanha (42%), Suécia (42%) e Finlândia (40%) lideram o apoio, enquanto Bulgária (39%) e Grécia (37%) vêm logo a seguir.

Este facto evidencia uma forte procura de um maior investimento nos serviços públicos em toda a Europa do Sul, com Espanha e Grécia a liderar. Itália e Portugal (ambos com 31%) também apresentam um apoio acima da média.

A Bulgária é um caso atípico na Europa de Leste, com respostas que sugerem que os cidadãos querem serviços mais sólidos, mesmo que os impostos aumentem.

Os níveis mais baixos registam-se no Luxemburgo (16%), bem como na Letónia, Eslováquia e Bélgica (todos os três com 17%), o que indica uma forte resistência ao aumento dos impostos. Na Europa Central e de Leste, o apoio é geralmente menor: a Polónia, a Hungria, a Roménia, a Lituânia e a Eslovénia situam-se entre os 22 e os 23%.

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A Alemanha (20%), a Áustria (20%) e França (23%) também se encontram entre os países menos favoráveis.

Manter os serviços e os impostos ao mesmo nível

Uma parte significativa da população da UE, cerca de um quarto (26%), considera que tanto os impostos como os serviços públicos devem manter-se nos seus níveis atuais, embora as opiniões variem muito entre os Estados-membros.

O apoio à manutenção do status quo é mais forte no Luxemburgo (47%), em Malta (46%) e na Dinamarca (43%), onde quase metade da população tem esta opinião.

O apoio a esta opção é também superior à média da UE na Áustria (37%), Finlândia (34%), França (32%) e Alemanha (31%), o que indica uma preferência pela estabilidade. O apoio é baixo no sul da Europa, com muitos países a situarem-se muito abaixo da média da UE: Grécia (11%), Croácia (13%), Itália (18%), Espanha (21%) e Portugal (25%), um facto que, indicou o autor do estudo, demonstra o descontentamento da população e o desejo de mudança.

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