“Além dos receios de segurança da cloud, as empresas estão ainda reticentes na adoção da IA”: Genaro Pena, responsável pela área de Cloud ERP da SAP

Numa sala do Centro Cultural de Belém, à margem do conferência da SAP, Genero Pena, que é responsável pela área de Cloud ERP na empresa tem a seu cargo os mercados de Portugal, Espanha, Grécia, Malta, Turquia, Chipre e Israel, explicou como têm estado a migrar muitos dos serviços tradicionais da SAP para a cloud, desde 2021.

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O Centro Cultural de Belém, em Lisboa, recebeu no início de abril o Business Unleashed Innovation Day da multinacional SAP. A empresa, especialista em software de gestão, trouxe a Lisboa Genaro Pena, VP Regional Head of SAP Business Suite SAP para a Europa do Sul. O espanhol veio apresentar as novas ferramentas da empresa com especial enfoque no uso da cloud e da Inteligência Artificial e falou à Executive Digest como está a ser a adaptação deste tipo de serviços em vários países e quais as principais dificuldades que existem.

Numa sala do Centro Cultural de Belém, à margem do conferência da SAP, Genero Pena, que é responsável pela área de Cloud ERP na empresa tem a seu cargo os mercados de Portugal, Espanha, Grécia, Malta, Turquia, Chipre e Israel, explicou como têm estado a migrar muitos dos serviços tradicionais da SAP para a cloud, desde 2021.



«Globalmente temos mais de 10 mil clientes a migrar para estas soluções, no contexto dos mercados que estou a gerir são 600 os clientes, sendo que cerca de 100 estão em Portugal». A migração dos serviços “tradicionais” das empresas para a cloud tem acelerado, segundo Genero Pena, «a mudança que estamos a ver e a velocidade de adoção dessas soluções são muito rápidas. E, obviamente, as coisas que vimos hoje [no evento do CCB], como a capacidade das empresas e dos usuários interagirem com os sistemas de uma maneira diferente através da inteligência artificial está a acelerar essa transição, sobretudo porque sem isso não é possível usar a inteligência artificial».

 

PORTUGAL (E ESPANHA) AO NÍVEL DE OUTROS PAÍSES EUROPEUS

São vários os países europeus a adotar com relativa rapidez as soluções migratórias para a cloud. Estão as empresas por- tuguesas a par das congéneres europeias nesta mudança? Genero Pena confirma não existirem grandes diferenças entre Portugal, e Espanha, com outros países como França e Reino Unido. Avança que há muito interesse em fazê-lo mas também existem preocupações: «as em- presas refletem muito sobre segurança, estão habituadas a terem os sistemas tradicionais no seu local e sempre que existem problemas ativam as equipas no terreno porque têm os servidores próximos dos utilizadores». Contudo, a grande diferença entre os vários países acontece sobretudo na regulamentação da residência dos dados, «não tanto nos países da União Europeia, mas acontece em países como a Turquia, onde o governo local impõe regras mais rígidas. Ou seja, para implementar sistemas na nuvem, os centros de dados têm de estar na Turquia», explica. Fatores que acabam por atrasar a adoção da nuvem, nos Estados Unidos a realidade é diferente. «As empresas norte-americanas não pensam tanto nos efeitos colaterais. Na Europa, gostamos de rever cada passo que damos quando há uma mudança tecnológica. Tendemos a repensar os impactos de vários ângulos: da tecnologia, da segurança, da interface com o utilizador. Testamos muitas coisas, mas isso não significa o que a União Europeia está a fazer — em termos de regulamentação — esteja errado, mas perde-se muito tempo e acaba por atrasar o desenvolvimento dos negócios das empresas».

 

MAIOR AGILIDADE

As alterações macroeconómicas estão a influenciar o negócio da SAP, sobretudo na velocidade e na pressão que existe atualmente nas empresas para decidirem a adoção de novas tecnologias. «Tínhamos o luxo de poder pensar em muitos aspetos para adotar uma nova tecnologia. Hoje precisamos de empresas mais ágeis e mais resilientes porque estamos a competir de forma diferente. Acho que agora temos de pesar na balança quais são os benefícios que a tecnologia pode trazer às empresas».”

Segundo o responsável, a cloud traz é essa agilidade. E esse é «o maior benefício e o principal argumento para as empresas aderirem a um serviço como o nosso. Há muitas coisas que não pode fazer se não estiver na cloud, porque está a perder os grandes modelos de linguagem, está a perder os novos modelos de segurança, está a perder as novas formas de gerir as aplicações, e está a fazê-lo de uma forma antiquada, que é mais dispendiosa. Assim, o maior argumento para convencermos um cliente é que, se quiser maximizar o dinheiro que investe deve estar na cloud». Contudo, para além dos receios de segurança da cloud, as em- presas estão ainda reticentes na adoção da IA. «As empresas estão um pouco preocupadas com o que está a acontecer, porque não controlam, mas há algo que está a ajudar muito a democratizar o usa da IA, quase todos nós temos uma app gratuita no smartphone para usar para fins privados, e brincar um pouco com a IA. Portanto, porque não usar os mesmos princípios nas empresas?»

Com a velocidade da mudança tecno- lógica a aumentar exponencialmente, qual será o caminho nos próximos anos? Genero Pena acredita que a forma de desenvolver as aplicações será totalmente diferente, «um programador pode usar um agente de inteligência artificial para produzir código. E isso significa que a capacidade de desenvolver coisas novas vai aumentar massivamente. Portanto, vamos ver o desenvolvimento de novas aplicações, novos agentes, novos cenários de uma forma muito mais ágil. Além disso, a forma de tornar os dados mais contextualmente relevantes vai aumentar muito nos próximos», e dá exemplos, «a forma como vamos interagir com os dados usando todas esta nova tecnologia vai mudar de uma forma muito rápida porque vamos combinar, a informação não formatada em texto, com gráficos, fazendo perguntas sobre um gráfico ou sobre uma tabela de uma forma diferente. Portanto, a nossa capacidade de extrair mais informação de dados vai mudar muito».

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