Energia sob pressão: Como as empresas se defendem da volatilidade dos preços

Opinião de Ana Bernardo, Diretora Executiva da ACEMEL

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Por Ana Bernardo, Diretora Executiva da ACEMEL

Nos últimos anos, os mercados de energia têm sido marcados por uma crescente volatilidade, motivada por fatores como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e a transição para fontes de energia mais sustentáveis. Esta imprevisibilidade tem impactado significativamente as empresas, sobretudo aquelas com consumos energéticos elevados, obrigando-as a repensar suas estratégias de contratação e de gestão de risco.

As flutuações nos preços da energia influenciam diretamente os custos operacionais das empresas, podendo comprometer margens de lucro e planos de investimento. Setores industriais como o metalúrgico, químico ou alimentar estão entre os mais afetados, uma vez que a energia representa uma parcela significativa dos seus custos totais.

Diante desse cenário, as empresas tendem a optar por duas abordagens principais. Os contratos de preço fixo oferecem previsibilidade e estabilidade orçamental, sendo ideais para empresas que não desejam ou não têm capacidade de acompanhar o mercado. Contudo, podem resultar em preços acima do mercado em momentos de baixa. Por outro lado, os contratos indexados ajustam-se às variações do mercado, permitindo potencial de poupança em períodos de preços baixos. Porém, exigem maior acompanhamento e expõem as empresas a riscos de picos de preços.

A celebração de contratos com prazos de quatro a cinco anos tem ganhado destaque como forma de mitigar riscos. Estes contratos oferecem previsibilidade e podem ser estruturados com mecanismos como hedging financeiro, para travar preços futuros; contratos estruturados com tetos e pisos, para limitar oscilações; e Power Purchase Agreements (PPAs), sobretudo com fontes renováveis, assegurando energia a preços mais competitivos e sustentáveis.

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Para além da escolha do tipo de contrato, muitas empresas têm adotado medidas complementares, como a monitorização constante dos mercados de energia, o uso de consultorias e especialistas para suporte à decisão, a definição de políticas internas de risco energético e o investimento em eficiência energética e produção própria, como o autoconsumo solar. Neste último caso, é relevante questionar se a instalação de painéis solares tem, de facto, representado um proveito económico real. Na maioria dos casos, o investimento em sistemas fotovoltaicos tem-se revelado vantajoso, com períodos de retorno cada vez mais curtos devido à redução dos custos de instalação, aos incentivos públicos e à economia gerada na fatura energética. lém disso, as empresas começam a manifestar um aumento do interesse por sistemas de armazenamento de energia através de baterias, permitindo-lhes maximizar o aproveitamento do recurso solar, mas também numa perspetiva de contributo ao mercado relativamente a serviços de sistema (gestão de cargas) ou de flexibilidade, permitindo-lhes garantir maior resiliência e autonomia energética.

As decisões empresariais estão também condicionadas à evolução regulatória e à dinâmica dos comercializadores. A legislação europeia tem promovido a transparência e a concorrência, enquanto incentiva contratos de longo prazo com base em energia renovável.

Num contexto de elevada incerteza, as empresas devem encontrar um equilíbrio entre a estabilidade e a capacidade de aproveitar oportunidades de mercado. A tendência aponta para uma maior sofisticação na gestão energética, combinando soluções contratuais flexíveis com uma postura ativa e informada perante o mercado.

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