Energia sob pressão: Como as empresas se defendem da volatilidade dos preços

Opinião de Ana Bernardo, Diretora Executiva da ACEMEL

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Volvo ES90 – A ascensão da serenidade sueca no paradigma do luxo elétrico A indústria automóvel vive hoje um momento de inovação tecnológica e de disrupção onde a potência bruta é frequentemente utilizada mas não mostra a verdadeira alma/essência de um automóvel Contudo ao sentar-me ao volante o novo Volvo ES90 percebi de imediato que não estamos perante mais um sedan elétrico mas sim uma nova filosofia de automóvel Este é para mim um dos melhores Volvo já fabricados e talvez dos mais bonitos, o que é difícil dizer porque sempre os considerei todos eles muito elegantes. A marca conseguiu manter a verdadeira essência do minimalismo e rigor/luxo discreto, mas elevando-o a uma experiência sensorial sem precedentes, onde o rigor construtivo e o conforto – absurdo é mesma palavra – dita as regras. O Volvo ES90 pertence ao segmento E- Premium e trata-se de modelo “hibrido” pois está posicionado acima das segmentações tradicionais, e trata‑se de um fastback mas com alma de SUV. Desafia também as convenções volumétricas pois tem 4,99 m de comprimento, mas um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,25, Trata-se de um modelo desenhado sobre a batuta da equipa de design da Volvo em Gotemburgo mas respira ADN escandinavo Os faróis martelo de Thor evoluíram para uma assinatura digital pixelizada enquanto a traseira apresenta uma porta de abertura ampla sublinhando a versatilidade. Foi exaustivamente testado na Suécia enfrentando condições de frio extremo para garantir que a dinâmica de condução e a gestão térmica da bateria são infalíveis. Testei a unidade com tração integral Twin Motor que revelou um comportamento de exceção. A plataforma SPA2, a mesma do EX90, confere uma rigidez estrutural que há muito não se via no segmento. Nas estradas portuguesas, entre o empedrado cidadino, estradas de terra batida, AE para Évora e as nacionais, vejo que o ES90 isola os ocupantes de forma magistral (até o teto de abrir escurece). A suspensão pneumática com tecnologia ativa adapta-se em milissegundos eliminando qualquer vibração O espaço interior é o habitual, ou seja, muito amplo, minimalista mas de um conforto e desenho discretos. A experiência é de um silêncio absoluto sendo que a Volvo afirma ser o habitáculo mais silencioso de sempre da marca, graças ao uso extensivo de materiais de isolamento acústico e vidros laminados duplos de série. A ergonomia dos bancos segue o habitual da marca com a certificação ortopédica e redefina o que esperamos de uma viagem de longo curso. Mas o ES90 não é simplesmente um automóvel, mas também um computador sobre rodas equipado com um sistema de computação central e com vários processadores Nvidia onde a capacidade de processamento inteligência artificial é oito vezes superior aos modelos anteriores. Através dos sensores lidar e dos radares da última geração, cria-se um escudo de 360° detectando objetos a 250 m mesmo em escuridão total. O sistema de infotainment com inteligência artificial da Google permite um controlo por voz natural e uma personalização preditiva de rotas baseada nos hábitos do condutor. O ecrã central é hoje muito mais intuitivo e apresenta vários modos de condução e os habituais comandos de voz natural e da afinação dos espelhos etc. As baterias também estão associadas a algoritmos de inteligência artificial para otimizar a saúde da mesma, permitindo carregamentos mais rápidos mas sem degradar as células. Este modelo é fabricado na unidade de última geração da Volvo que tal como a marca preconiza utiliza energia 100% energia renovável As baterias desenvolvidas com as melhores marcas, da CATL à Northvolt possuem uma capacidade líquida até 106 kW na versão ultra. A grande inovação reside aqui no sistema elétrico de 800 wattts, que é uma estreia na marca e que permite recuperar 300 km em apenas 10 minutos As células têm também uma vantagem pois utilizam uma química de baixo teor de cobalto (caro, volátil em preço, associado a riscos na cadeia de abastecimento e frequentemente ligado a preocupações éticas na sua extração) Muito importante é o passaporte da bateria recorre a blockchain para garantir a reestabilidade total dos materiais. Já falamos do luxo do minimalismo, da qualidade de construção e dos materiais, de um bem-estar a bordo que convida alongas viagens num conforto sem precedentes e um comportamento demasiado preciso. E é isso mesmo que este Volvo transmite para o cliente que valoriza o estatuto mas sem ostentação; o executivo ou aquela família que procura segurança máxima e sustentabilidade real. Concorre com os BMW e a Mercedes e o Audi, contudo pela sua versatibilidade e altura posiciona-se numa zona cinzenta de conforto superior que o torna único. Temos finalmente ao rival à altura das marcas premium mais conceituadas. O Volvo está disponível em três versões com preço a partir dos 72.945 para particulares ou 55.000 mais IVA para as empresas. Possui uma autonomia até 700 km na versão single Motor extended range e a potência pode ir até aos 680 cavalos Twin Motor Performance. “O ES90 representa a nossa abordagem holística à sustentabilidade e à segurança, sendo o sedan mais avançado que alguma vez concebemos.” — Vanessa Butani, Head of Global Sustainability da Volvo Cars. “Com o ES90, elevamos o padrão do que uma berlina de luxo deve ser na era elétrica: equilibrada, inteligente e profundamente humana.” — Jim Rowan, CEO da Volvo Cars.

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Por Ana Bernardo, Diretora Executiva da ACEMEL

Nos últimos anos, os mercados de energia têm sido marcados por uma crescente volatilidade, motivada por fatores como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e a transição para fontes de energia mais sustentáveis. Esta imprevisibilidade tem impactado significativamente as empresas, sobretudo aquelas com consumos energéticos elevados, obrigando-as a repensar suas estratégias de contratação e de gestão de risco.



As flutuações nos preços da energia influenciam diretamente os custos operacionais das empresas, podendo comprometer margens de lucro e planos de investimento. Setores industriais como o metalúrgico, químico ou alimentar estão entre os mais afetados, uma vez que a energia representa uma parcela significativa dos seus custos totais.

Diante desse cenário, as empresas tendem a optar por duas abordagens principais. Os contratos de preço fixo oferecem previsibilidade e estabilidade orçamental, sendo ideais para empresas que não desejam ou não têm capacidade de acompanhar o mercado. Contudo, podem resultar em preços acima do mercado em momentos de baixa. Por outro lado, os contratos indexados ajustam-se às variações do mercado, permitindo potencial de poupança em períodos de preços baixos. Porém, exigem maior acompanhamento e expõem as empresas a riscos de picos de preços.

A celebração de contratos com prazos de quatro a cinco anos tem ganhado destaque como forma de mitigar riscos. Estes contratos oferecem previsibilidade e podem ser estruturados com mecanismos como hedging financeiro, para travar preços futuros; contratos estruturados com tetos e pisos, para limitar oscilações; e Power Purchase Agreements (PPAs), sobretudo com fontes renováveis, assegurando energia a preços mais competitivos e sustentáveis.

Para além da escolha do tipo de contrato, muitas empresas têm adotado medidas complementares, como a monitorização constante dos mercados de energia, o uso de consultorias e especialistas para suporte à decisão, a definição de políticas internas de risco energético e o investimento em eficiência energética e produção própria, como o autoconsumo solar. Neste último caso, é relevante questionar se a instalação de painéis solares tem, de facto, representado um proveito económico real. Na maioria dos casos, o investimento em sistemas fotovoltaicos tem-se revelado vantajoso, com períodos de retorno cada vez mais curtos devido à redução dos custos de instalação, aos incentivos públicos e à economia gerada na fatura energética. lém disso, as empresas começam a manifestar um aumento do interesse por sistemas de armazenamento de energia através de baterias, permitindo-lhes maximizar o aproveitamento do recurso solar, mas também numa perspetiva de contributo ao mercado relativamente a serviços de sistema (gestão de cargas) ou de flexibilidade, permitindo-lhes garantir maior resiliência e autonomia energética.

As decisões empresariais estão também condicionadas à evolução regulatória e à dinâmica dos comercializadores. A legislação europeia tem promovido a transparência e a concorrência, enquanto incentiva contratos de longo prazo com base em energia renovável.

Num contexto de elevada incerteza, as empresas devem encontrar um equilíbrio entre a estabilidade e a capacidade de aproveitar oportunidades de mercado. A tendência aponta para uma maior sofisticação na gestão energética, combinando soluções contratuais flexíveis com uma postura ativa e informada perante o mercado.

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