Atum e contaminação por mercúrio: Quantas latas pode comer por semana sem riscos para a saúde?

A decisão de sete cidades francesas, incluindo Paris e Lyon, de proibir o consumo de atum nos refeitórios escolares reacendeu o debate sobre a segurança deste peixe em conserva e a presença de mercúrio.

Pedro Gonçalves

A decisão de sete cidades francesas, incluindo Paris e Lyon, de proibir o consumo de atum nos refeitórios escolares reacendeu o debate sobre a segurança deste peixe em conserva e a presença de mercúrio. As autoridades municipais justificaram a medida afirmando que “a regulamentação europeia não é suficientemente protetora para a saúde, sobretudo para a saúde das crianças” e garantiram que o veto não será levantado enquanto o limite máximo de concentração de mercúrio autorizado não for reduzido para 0,3 miligramas por quilo, em linha com outros peixes.

A reação da Federação das Indústrias de Alimentos Enlatados foi imediata, defendendo que “as empresas respeitam a regulamentação em vigor e nenhum produto no mercado supera o limite regulamentar de um miligrama por quilo”.

O caso francês levantou preocupações também fora do país, sobretudo entre consumidores que se interrogam sobre a quantidade de mercúrio nas latas de atum e sobre se é necessário restringir o seu consumo.

Em declarações publicadas no canal espanhol Telecinco, Miguel Ángel Lurueña, doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, recordou que a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) já concluiu que “o benefício de comer peixe, pelos nutrientes que fornece, supera os possíveis riscos associados à presença de mercúrio”.

No entanto, o especialista sublinha que existem recomendações específicas para grupos vulneráveis, alinhadas com as orientações da Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (AESAN).

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Segundo Lurueña, crianças com menos de 10 anos, mulheres grávidas, mulheres que possam vir a engravidar e mulheres em período de amamentação devem evitar as espécies de peixe que mais mercúrio acumulam: tubarão (cação, tintureira, patarroxa, entre outros), peixe-espada (também conhecido como imperador), lúcio e atum vermelho.

Já para crianças entre os 10 e os 14 anos, a recomendação é limitar o consumo destas espécies a 120 gramas por mês.

O especialista esclarece que estas restrições dizem respeito sobretudo ao atum vermelho, que não é habitualmente usado nas conservas disponíveis no mercado. Nessas, é mais comum encontrar atum claro ou bonito do norte, espécies de menor porte que acumulam quantidades mais reduzidas de mercúrio.

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De acordo com Lurueña, para uma pessoa adulta, “seria necessário comer sete latas de atum por semana para ultrapassar a quantidade de mercúrio considerada segura”. Ainda assim, recomenda moderação no consumo e reforça que os grupos vulneráveis devem seguir de forma rigorosa as orientações específicas.

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