Os filantropos nos Estados Unidos da América doaram 427,71 mil milhões de dólares (cerca de 391,5 mil milhões de euros) a organizações de solidariedade, em 2018. Os dados são da Giving USA e dizem respeito a indíviduos, mas também fundações e empresas.
No conjunto da Europa, por outro lado, os donativos não foram além dos 60 mil milhões de euros, de acordo com a Asociación Española de Fundaciones (AEF). Citada pelo El Economista, esta associação dá conta de 147 mil filantropos responsáveis pelos donativos de 2018, no Velho Continente.
O El Economista considera que estes dados vêm confirmar aquilo que já sabia: os Estados Unidos da América são mais avançados em matéria de filantropia. A conclusão tem por base o valor doado, mas também a sofisticação das abordagens e a forma como esta palavra faz parte da cultura do país.
Haverá uma explicação para esta discrepância e para a adopção da filantropia quase como um estilo de vida? Eduardo Irastorza, professor da OBS Business School e sócio consultora da Zentank Partners, acredita que sim. Em declarações à mesma publicação, aponta para a religão como um dos motivos.
«Existe uma coisa muito importante, que é a diferença básica entre o pensamento tradicional da ética protestante e o da ética católica ou muçulmana», começa por expicar. De acordo com o especialista, no caso da primeira, a pessoa que enriquece sente-se moralmente obrigada a dar de volta à sociedade, nomeadamente através de parte do dinheiro conquistado.
No caso da cultura latina, especialmente do Sul, a caridade é vista como modo de ajudar os mais necessitados. Não será, porém, nenhum tipo de obrigação moral.
Se for esta a justificação, não se trata de uma dicotomia de EUA versus Europa. Neste sentido, há, aliás, países europeus com níveis de filantropia significamente elevados, como é o caso da Alemanha, Reino Unido, Holanda e geografias escandinavas – precisamente onde o número de protestantes é superior ou onde esta religião tem raizes mais profundas.
Quanto aos muçulmanos, Eduardo Irastorza nota que a Arábia Saudita, por exemplo, não tem um sistema de segurança social implementado mas que não existem razões de queixa por parte dos cidadãos. Isto porque, segundo o Islão, todos têm o dever de ajudar os mais pobres.














