As autoridades ucranianas acreditam que a Rússia poderá estar envolvida no assassinato do antigo presidente do Parlamento, Andriy Parubiy, morto a tiro no sábado em Lviv. Um suspeito já foi detido, confirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na noite de domingo.
Zelensky classificou a morte como um “assassinato terrível” e garantiu que estão a ser conduzidas “todas as investigações necessárias” para esclarecer o crime. “Quero que todas as informações sejam apresentadas ao público”, sublinhou o chefe de Estado, sublinhando a importância de transparência no processo.
O chefe da polícia nacional, Ivan Vyhivskyi, reforçou essa linha de investigação ao escrever no Facebook, esta segunda-feira, que “este crime não foi um acidente” e que “houve um envolvimento russo”. Acrescentou ainda: “Toda a gente será responsabilizada perante a lei.” Já no fim de semana, o responsável máximo dos serviços secretos militares ucranianos, Kyrylo Boudanov, tinha apontado no mesmo sentido, levantando a hipótese de mão russa no caso.
Parubiy, de 54 anos, foi abatido a tiro quando caminhava pelas ruas de Lviv. De acordo com imagens descritas pela BBC, foi interpelado por um homem vestido como um estafeta da empresa de entregas Glovo, que empunhava uma arma enquanto o seguia.
Figura central da revolução da Maidan (2013-2014), Parubiy destacou-se na luta pró-europeia, que exigia maior integração da Ucrânia na União Europeia, bem como reformas contra a corrupção e contestação ao governo pró-russo da altura. Além de deputado, ocupou vários cargos políticos relevantes e tornou-se uma referência do movimento de resistência à influência de Moscovo.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, homenageou-o publicamente: “Foi um patriota e um homem de Estado que fez uma enorme contribuição para a defesa da liberdade, independência e soberania da Ucrânia.”
Enquanto o país digeria a notícia da morte de Parubiy, a guerra continuava na frente leste e sul. Pelo menos duas pessoas morreram esta segunda-feira na sequência de um ataque russo na região de Zaporijjia, parcialmente ocupada pelas tropas de Moscovo. O governador regional, Ivan Fedorov, acusou diretamente o Kremlin: “A Rússia é um Estado terrorista”, afirmou.
Putin insiste em “crise” provocada pelo Ocidente
Do outro lado, o Presidente russo, Vladimir Putin, falou a partir da China, onde participa na cimeira da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX). Negando qualquer responsabilidade da Rússia, descreveu a guerra como uma “crise” resultante da aproximação da Ucrânia ao Ocidente.
Putin destacou a cimeira do Alasca, realizada recentemente com o Presidente norte-americano, Donald Trump, como um passo positivo e disse esperar que o encontro “abra o caminho até à paz na Ucrânia”. O líder russo agradeceu ainda à China e à Índia as propostas para “facilitar a resolução da crise ucraniana”.
Em declarações ao lado de Xi Jinping e Narendra Modi, reiterou que Moscovo sempre alertou para as “tentativas constantes do Ocidente de incorporar a Ucrânia na NATO”, algo que considera “uma ameaça direta à segurança da Rússia”. Para Putin, a situação deve ser resolvida com um “equilíbrio justo na esfera da segurança” e respeitando o princípio de que “nenhum país pode assegurar a sua segurança às custas de outro”.
O Presidente russo voltou também a afirmar que a crise teve origem num “golpe de Estado na Ucrânia, apoiado e provocado pelo Ocidente”, acusando Kiev de ter usado o seu exército para reprimir “regiões e pessoas que não apoiavam esse golpe”.














