Incêndios em Portugal: Ministra fala ao País às 18h45 e Governo avalia prolongamento de estado de alerta

A Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, vai falar ao país esta quinta-feira, às 18:45, para abordar a situação dos incêndios rurais que continuam a afetar várias regiões de Portugal, anunciou o gabinete da ministra.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Governo está a avaliar a possibilidade de prolongar a situação de alerta devido ao risco de incêndio rural, atualmente decretada até ao final do dia desta sexta-feira. Segundo informação recolhida pela TSF, o Ministério da Administração Interna mantém contacto permanente com as autoridades de Proteção Civil para tomar uma decisão fundamentada sobre a medida.

Ministra da Administração Interna fará declaração sobre incêndios. Governante compara “quadro raro” aos incêndios de 2017
Numa nota enviada às redações, o gabinete da Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, anunciou que a governante fará uma declaração esta quinta-feira, às 18h45, na sede nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, sobre a situação dos incêndios rurais no País.

Em entrevista à Renascença, Maria Lúcia Amaral sublinhou que para sexta-feira existe o “risco de tempestades secas e o risco dos chamados ventos convexos”, uma conjugação de fatores que, em 2017, foi “decisiva e determinante” para gerar “fogo incontrolável”, recordando a tragédia de Pedrógão Grande.

Portugal continental encontra-se em situação de alerta devido ao risco de incêndio rural desde 2 de agosto. Este ano, já arderam 63.247 hectares de áreas florestais, metade destes apenas nas últimas três semanas, e registaram-se 5.963 incêndios, principalmente nas regiões do Norte e Centro do país.

Segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, baseado em imagens de satélite do programa europeu Copernicus, Portugal é o terceiro país da União Europeia com mais área ardida este ano, atrás de Espanha (148.205 hectares) e Roménia (123.816 hectares). A área ardida é nove vezes superior à registada no mesmo período do ano passado e representa a segunda maior desde 2017. De acordo com o ICNF, nas últimas 24 horas arderam mais de 11 mil hectares.

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Situação nos grandes incêndios do País
No terreno, cerca de dois mil operacionais combatiam os quatro maiores incêndios ativos no País: Arganil, Sátão, Trancoso e Cinfães. Estes profissionais eram apoiados por 641 viaturas e 18 meios aéreos, de acordo com a ANEPC.

No concelho de Arganil, distrito de Coimbra, um incêndio iniciado na freguesia de Piódão alastrou aos municípios vizinhos de Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e Seia (Guarda), mobilizando quase 900 operacionais. Em Sátão, distrito de Viseu, estavam 488 operacionais, em Trancoso, distrito da Guarda, 458, e em Cinfães, distrito de Viseu, 164.

Risco de fenómenos semelhantes a 2017 motiva prolongamento da situação de alerta
Maria Lúcia Amaral explicou que “a situação atmosférica e climática se vai agravar muitíssimo no dia de amanhã, dia 15 de agosto”, com condições particularmente severas que incluem tempestades secas e ventos convexos. Estes foram os fatores “mais decisivos e determinantes” para os incêndios incontroláveis de 2017.

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A ministra destacou que a situação de alerta permite um aumento do patrulhamento noturno, reduzindo o risco de novos focos de incêndio durante a noite. “Temos um quadro raro, que se repetiu apenas em 2003 e 2005: 22 dias consecutivos de onda de calor e de grandes incêndios que não deram tréguas”, disse, salientando a dedicação dos bombeiros portugueses, apesar do cansaço acumulado.

Quanto ao pedido de ajuda internacional, a ministra revelou que Portugal solicitou apoio à Espanha, mas os países vizinhos também enfrentam condições severas e não têm disponibilidade para enviar meios adicionais. “A Espanha nunca nos faltou, mas neste momento não consegue. A França, que normalmente tem toda a disponibilidade, também enfrenta situações domésticas graves”, explicou Maria Lúcia Amaral.

A governante enfatizou a necessidade de “tranquilidade e sossego” para tomar decisões políticas em momentos de elevada gravidade e admitiu compreender a preocupação dos autarcas quanto à proteção das suas próprias localidades. Garantiu ainda que o Governo está a fazer “tudo, mas tudo”, dentro das limitações de meios disponíveis, para enfrentar “um fenómeno natural de dimensões e proporções terríveis”.

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