A implementação do teletrabalho a uma escala nunca antes vista em todo o Mundo tem obrigado profissionais das mais diferentes áreas a um exercício de adaptação. Os gestores e líderes de empresas não ficam de fora e também eles estão a ver-se obrigados a assumir novas abordagens e técnicas para garantir que o negócio continua a funcionar.
Javier L. Crespo, director de programas de Recursos Humanos da EAE Business School, garante que é possível comandar uma empresa a partir de casa. Alás, «não só é possível como é absolutamente necessário, não só pela situação do coronavírus, que nos está a confinar em casa e que nos obrigada a dirigir operações e a coordenarmo-nos online, como também pela digitalização e internacionalização das organizações, equipas e pessoas».
Em declarações ao jornal espanhol El Economista, o especialista garante que as tecnologias disponíveis actualmente permitem estar em total comunicação com os colaboradores, tal como se estivessem todos no mesmo escritório. Perante a quarta revolução industrial, assente na digitalização da economia, Javier L. Crespo considera que é possível trabalhar a partir de qualquer ponto do Mundo e, até, da casa. Basta que os executivos apliquem as mesmas práticas de liderança nos canais digitais.
Mas haverá algo de específico que se pode fazer para que a gestão de equipas virtuais seja mais eficaz? O professor está certo de que sim e aponta algumas dicas: estabelecer objectivos desde o início; planear e coordenar as tarefas com a equipa de forma colaborativa; dar poder e responsabilidades a diferentes membros; apoiar a equipa e estar disponível tanto para o bem como para o mal; dar feedback; e, por fim, mostrar empatia e manter uma comunicação fluída.
No mesmo sentido, não é por se estar em casa que o contacto diário deve chegar ao fim. Há que manter as reuniões e discussões necessárias ao crescimento da empresa, mesmo que todas as conversas aconteçam virtualmente. Será importante também dar os bons dias, tal como se se estivesse nas mesmas instalações.
Javier L. Crespo sublinha que as reuniões digitais requerem o mesmo tipo de cuidados. Todos os participantes devem conhecer a agenda prevista para que se possam preparar e dar contributos valiosos. Da mesma forma, todos deverão conseguir ver-se, recorrendo para isso a uma solução tecnológica com imagem e áudio em tempo real.
Outra prática que se deve manter do contexto de escritório para o teletrabalho é o reconhecimento em público e a correcção em privado. Se for preciso dar indicações mais severas a um funcionário, o melhor será fazê-lo longe dos restantes colaboradores. Especialmente agora em que o ambiente é de tensão.
Bem-estar emocional também é importante
A par da gestão de equipas, há também que dar atenção ao bem-estar emocional do próprio líder. A componente psicológica não deve ser esquecida, uma vez que liderar à distância poderá causar frustração pela impossibilidade de resolver determinadas questões presencialmente.
Dolores Ruiz, professora de Gestão de Recursos Humanos e psicólogo, afirma que, em princípio, o teletrabalho não deverá representar mais stress para os gestores, mas tudo dependerá das equipas com que trabalham. Se tiverem ao seu lado bons profissionais, empenhados nas respectivas funções e em quem se pode confiar, trabalhar no escritório ou em casa deverá ser igual.
Ainda asim, há três bons hábitos a ter em mente para garantir o bem-estar: cumprir os horários marcados, cuidar da alimentação e programar actividades que permitam algum tipo de entretenimento – pode ser fazer desporto em casa, ler um livro ou ligar a um amigo.










