Foi sol de pouca dura (literalmente). Coreia do Norte fecha novo resort de praia a turistas estrangeiros

A Coreia do Norte suspendeu subitamente a entrada de visitantes estrangeiros no recém-inaugurado complexo turístico de Wonsan-Kalma, na costa leste do país, apenas semanas após abrir as portas a turistas locais e a um pequeno grupo de cidadãos russos.

Pedro Gonçalves
Julho 18, 2025
12:13

A Coreia do Norte suspendeu subitamente a entrada de visitantes estrangeiros no recém-inaugurado complexo turístico de Wonsan-Kalma, na costa leste do país, apenas semanas após abrir as portas a turistas locais e a um pequeno grupo de cidadãos russos. O anúncio foi feito esta quarta-feira, 17 de julho, através do portal estatal DPR Korea Tour, especializado em turismo na Coreia do Norte. A decisão apanhou analistas e observadores internacionais de surpresa, numa altura em que o regime de Kim Jong-un procurava relançar o turismo como fonte de receita em moeda estrangeira.

Sem qualquer explicação oficial, a mensagem publicada limitou-se a informar que o resort estava “temporariamente indisponível para turistas estrangeiros”. O comunicado não esclarece os motivos nem indica uma data para o eventual levantamento da suspensão.



Inaugurado com pompa e circunstância, o complexo balnear de Wonsan-Kalma foi promovido pelo próprio Kim Jong-un como “um dos maiores sucessos deste ano”, tendo sido preparado para acolher até 20 mil hóspedes. A estância conta com hotéis modernos, áreas de lazer e infraestruturas destinadas a reforçar a imagem do país como destino turístico emergente.

A suspensão coincide com a recente visita do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, ao local, onde manteve encontros com Kim Jong-un e com a ministra norte-coreana Choe Son-hui. Lavrov manifestou entusiasmo quanto ao potencial do resort, declarando: “Estou certo de que os turistas russos estarão cada vez mais interessados em vir aqui.”

Contudo, segundo analistas sul-coreanos, o governo norte-coreano poderá ter ficado alarmado com a publicação de um artigo de um jornalista russo, que sugeria que os alegados turistas norte-coreanos no resort eram, na verdade, população mobilizada pelo regime, e não veraneantes espontâneos. Essa revelação poderá ter comprometido os esforços de propaganda de Pyongyang.

Para Oh Gyeong-seob, investigador do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, com sede em Seul, “o governo norte-coreano percebeu que poderia enfrentar consequências negativas se abrisse o local a turistas estrangeiros”. Uma opinião partilhada por Lee Sangkeun, do Instituto de Estratégia de Segurança Nacional, que aponta também para dificuldades logísticas e financeiras na atração de visitantes russos, dada a localização remota da estância e os elevados custos de viagem.

Apesar da suspensão, os especialistas consideram que esta medida será apenas temporária. O desenvolvimento do Wonsan-Kalma implicou avultados investimentos num país com sérias limitações económicas, e destina-se essencialmente à captação de moeda estrangeira. “Se os turistas estrangeiros não forem autorizados a entrar, não entram rublos, yuans nem dólares. Isso significa que a Coreia do Norte não consegue cobrir os custos e terá de encerrar o resort”, sublinha Ahn Chan-il, presidente do Instituto Mundial de Estudos Norte-Coreanos.

Enquanto se aguarda por uma reabertura mais alargada ao turismo internacional, as excursões em grupo oriundas da China — que antes da pandemia representavam mais de 90% dos visitantes estrangeiros na Coreia do Norte — continuam suspensas. O regime de Kim Jong-un, no entanto, mantém viva a ambição de transformar Wonsan-Kalma numa montra da revitalização turística do país. O próprio líder descreveu a estância como “o primeiro passo orgulhoso na recuperação do sector do turismo nacional.”

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