Lisboa recebe pela primeira edição nacional da maior competição e conferência de startups do mundo — a Startup World Cup (SWC). A iniciativa terá lugar na Unicorn Factory Lisboa, e irá reunir empreendedores, investidores e líderes da indústria para dois dias intensos de apresentações, networking e avaliação de projetos.
Esta etapa portuguesa, que decorre nos dias 10 e 11 de Setembro, permitirá selecionar a startup nacional que representará Portugal na final mundial em Outubro em Silicon Valley, concorrendo ao prémio global de um 1 milhão de dólares de investimento direto. Os concorrentes vão poder apresentar o pitch do seu projeto, discuti-lo com experts globais, beneficiando dos conselhos, e, eventualmente de financiamento.
Em entrevista à Executive Digest, Rui Sales Rodrigues, Executive Director da Startup World Cup Portugal, explicou o porquê da escolha de Portugal para receber o evento, e ainda o peso que este terá no ecossistema empreendedor nacional.
Fale-me da Startup World Cup e da Pegasus Tech Ventures?
A Startup World Cup (SWC) é a maior competição e conferência para startups a nível global, promovida pela empresa americana de venture capital Pegasus Tech Ventures. Criada em 2010, está hoje presente em mais de 70 países e realiza mais de 100 eventos regionais por ano, recebendo mais de 10.000 candidaturas anuais de startups e envolvendo mais de 50.000 participantes em todo o mundo. A final global da SWC realiza-se de 16 a 17 de outubro deste ano em Silicon Valley, Califórnia, nos Estados Unidos da América, onde os vencedores regionais vão competir por um investimento direto de 1 milhão de dólares.
Mais do que uma competição ou evento, a SWC é uma plataforma internacional de aceleração, visibilidade e acesso a investimento. Reúne empreendedores, investidores e líderes empresariais de todo o mundo para promover soluções disruptivas e criar ligações estratégicas entre inovação, capital e talento.
A Pegasus Tech Ventures gere mais de dois mil milhões de dólares em ativos sob gestão. Para além de oferecer capital intelectual e financeiro a empresas emergentes, disponibiliza também um modelo exclusivo de venture capital as a service (VCaaS) para grandes corporações que pretendem colaborar com startups emergentes e de elevado potencial. Os seus parceiros incluem marcas como ASUS, Aisin, SEGA, Sojitz e NGK Spark Plugs. Entre as empresas do seu portefólio contam-se nomes como SpaceX, Airbnb, SoFi, DoorDash, 23andMe, Bird, Color e Carbon.
O que motivou a vinda da Startup World Cup para Portugal?
Quando surgiu a oportunidade de lançarmos em Portugal a competição Startup World Cup da Pegasus Tech Ventures, não hesitámos. O nosso país tem vindo a afirmar-se como um hub de inovação e empreendedorismo, mas para que as nossas startups possam escalar globalmente é fundamental garantir acesso a investimento estratégico e qualificado.
Portugal é já um destino estratégico para inovação e empreendedorismo, combinando talento técnico, qualidade de vida, boas infraestruturas de apoio e uma crescente comunidade de investidores e aceleradoras. A realização da edição portuguesa do SWC surge da vontade de integrar o país num circuito global de startups, reforçando a sua visibilidade internacional e criando oportunidades de investimento para os empreendedores e startups nacionais.
Que impacto espera que esta competição tenha no ecossistema de inovação português?
A Startup World Cup Portugal é uma iniciativa que tem como objetivo posicionar o ecossistema nacional no radar global da inovação. Ao longo de dois dias — 10 e 11 de setembro de 2025 — a competição vai reunir no Unicorn Factory, as 50 startups selecionadas com ambição internacional.
O primeiro dia será dedicado à conferência “Building Bridges Together Through Innovation”, que visa promover o diálogo e partilha de experiências entre startups, grandes empresas, investidores e líderes de indústria. O segundo dia será marcado pela pitch battle, onde as 15 startups semifinalistas competem pelo título de vencedora nacional e por um lugar na final global em Silicon Valley, com acesso a um investimento direto de 1 milhão de dólares.
Este formato cria uma plataforma real de visibilidade internacional, contacto direto com fundos de venture capital de topo e oportunidades de internacionalização e captação de talento. A competição é sectorialmente agnóstica e está aberta a startups em diferentes estágios — de pre-seed e early-stage até à fase de scale-up — privilegiando projetos com tração, uma proposta sólida e ambição de escala global.
Em síntese, a SWC Portugal é um ponto de inflexão para o ecossistema nacional — um catalisador para ligar talento a capital, startups a mercado, e Portugal ao mundo.
Quais são os principais critérios que o júri vai considerar na seleção das startups finalistas?
O júri do SWC vai avaliar as startups com base em diversos critérios: Destacamos seis grandes dimensões: i) o grau de inovação e diferenciação, ii) a validação de mercado e tração já demonstrada, iii) o potencial de escalabilidade, iv) a qualidade e complementaridade da equipa de founders, v) o impacto positivo e sustentabilidade do projeto, vi) e a preparação para atrair investimento, incluindo clareza no pitch, estrutura financeira e roadmap de crescimento.
Procuramos startups que não só tenham uma ideia forte, mas também um modelo de negócio robusto, uma equipa de gestão preparada e ambição global. Queremos levar à final em Silicon Valley a startup que melhor represente o talento, a inovação e o espírito empreendedor de Portugal.
Que fatores considera mais críticos para que Portugal se afirme como destino relevante para startups e investimento internacional?
Portugal tem potencial para ser um verdadeiro hotspot de inovação, mas há fatores críticos a consolidar: estabilidade regulatória e fiscal, acesso a capital em todas as fases e retenção de talento qualificado com condições para crescer localmente.
É também essencial fortalecer a ligação entre ciência e negócio, promovendo inovação aplicada com impacto real, e fomentar a internacionalização desde o início. Eventos de escala e impacto global, como a Startup World Cup, ajudam a colocar o país no radar de investidores e grandes players.
Se conseguirmos alinhar talento, capital e ambição global, Portugal poderá reforçar a sua posição como um ecossistema emergente e competitivo na nova economia da inovação.
Acha que há áreas onde o país tem particular vantagem competitiva ou talento por explorar?
Portugal tem vindo a consolidar-se em áreas como energias renováveis, saúde digital, desenvolvimento de software e economia do mar. Conta com talento técnico qualificado e um ecossistema cada vez mais propício à criação e teste de novas soluções. A inteligência artificial é uma área com competências emergentes e dinamismo crescente, embora o país ainda não esteja entre as nações líderes. Destaca-se também a combinação entre turismo, cultura e tecnologia como espaço fértil para soluções diferenciadoras e com potencial de escala.
Desde 2010, a SWC já avaliou dezenas de milhares de startups. Nos últimos anos, destacaram-se projetos de healthtech e deeptech com forte impacto. A EarthGrid, vencedora da edição de 2024, desenvolveu uma tecnologia de escavação por plasma que permite construir túneis até 100 vezes mais rápido e com reduções de custo superiores a 90%. A Aillis, vencedora em 2023, especializou-se em diagnóstico de doenças respiratórias com inteligência artificial e já captou mais de 50 milhões de dólares em financiamento. Já a SRTX, vencedora em 2022, desenvolve têxteis técnicos ultraduráveis, combinando materiais avançados com soluções de rastreabilidade e automação industrial. É um exemplo de inovação aplicada a uma indústria tradicional, tendo arrecadado mais de 120 milhões de dólares nas suas últimas rondas de investimento.
A Startup World Cup procura aproximar o ecossistema empreendedor de Portugal dos principais atores da inovação, representando uma oportunidade concreta para que as startups nacionais ganhem visibilidade e possam apresentar os méritos dos seus modelos de negócio num palco internacional. Com o apoio, a liderança e a visão dos nossos patrocinadores e parceiros — que acreditaram desde o primeiro momento na iniciativa — esperamos contribuir, de forma construtiva, para o reforço contínuo de um ecossistema de inovação mais sólido e conectado ao mundo.
A open call para o Startup World Cup está ativa até 2 de agosto, e as candidaturas devem ser submetidas em inglês através do site oficial: www.startupworldcup.pt














