Portugal é um laboratório vivo de inovação industrial. E a Mind é um dos seus protagonistas mais activos. Com soluções próprias, desenvolvidas localmente e com foco em resultados concretos, a empresa tem vindo a transformar os processos produtivos de dezenas de empresas — em especial nos sectores do calçado e do têxtil, onde o know-how nacional é referência mundial.
O que distingue a proposta da Mind no mercado nacional?
As empresas procuram soluções práticas e adaptadas à sua realidade. E é isso que oferecemos: um sistema completo, desde o CAD ao corte, que permite trabalhar com mais rapidez, menos desperdício e uma enorme versatilidade. Temos tecnologia de ponta, mas também um acompanhamento muito próximo.
Pode referir instalações recentes que marcaram a diferença?
Destacaríamos por exemplo a Celita e a Alex Calçados. Na Celita, instalámos uma solução totalmente offline que cobre desde o CAD até ao corte, assegurando um fluxo produtivo contínuo e eficiente — mesmo sem ligação permanente à cloud. Esta abordagem tem sido fundamental para garantir estabilidade e autonomia em contextos produtivos exigentes. Já na Alex Calçados, a nossa solução também opera em modo offline, com forte integração com os processos internos, permitindo uma preparação rápida, uma resposta ágil a alterações de modelos e uma operação fluida no dia a dia da produção. São dois casos exemplares de como a tecnologia Mind pode ser aplicada com sucesso em realidades distintas, mantendo sempre o foco na eficiência e autonomia industrial.
Qual é o feedback mais comum dos clientes nacionais?
Muitos dizem-nos: «Vocês entendem o que precisamos.» Isso vem da nossa experiência directa no terreno. As nossas soluções reduzem tempos de preparação, aumentam a precisão do corte e dão visibilidade sobre o processo – algo essencial quando se trabalha para marcas exigentes.
Que projectos recentes destacaria?
Um caso de grande relevância é a Tekever, uma empresa na vanguarda da tecnologia europeia, que actua no desenvolvimento e produção de drones para aplicações de defesa e segurança. Instalámos uma solução de corte altamente especializada para lidar com materiais compósitos como fibra de carbono seca, pre-preg, fibra de vidro e kevlar. Esta instalação permite cortar múltiplos materiais com elevada precisão e repetibilidade, adaptando-se às exigências técnicas da produção aeronáutica. É um projecto que mostra como a tecnologia Mind também está preparada para sectores de elevado valor acrescentado e elevado rigor técnico.
Como responde a Mind às necessidades actuais do sector têxtil?
O sector têxtil exige agilidade e capacidade de adaptação e cada vez mais um rápido go to market. As empresas querem reduzir tempos e erros, mas sem perder qualidade. Com os nossos sistemas, conseguimos automatizar processos como o posicionamento de moldes em tecidos com padrões ou defeitos – algo que antes dependia de olho humano e experiência.
Algum caso recente digno de nota?
Sim, há dois exemplos particularmente relevantes. A Petratex, com quem mantemos uma relação de inovação contínua, é um dos nossos casos emblemáticos. Mais recentemente, complementámos a sua instalação com uma Station for Feature Recognition para a preparação de work orders no segmento de digital print, o que reforça a agilidade e precisão em processos altamente personalizados. Por outro lado, destacamos também a Confetil, uma empresa familiar com mais de 50 anos de experiência na produção de vestuário e moda em malha e tecido. Na Confetil implementámos uma solução completa baseada nos nossos softwares Pattern Matching, PrintedCUT e Feature Recognition, adaptada às suas exigências em termos de qualidade e diversidade de materiais. Estes projectos mostram como a tecnologia Mind está ao serviço da inovação industrial em contextos bem distintos, mas igualmente exigentes.
Como se concretiza o compromisso da Mind com a inovação?
Inovamos sempre com um propósito muito claro: resolver problemas reais. Estamos a aplicar inteligência artificial para transformar o processo produtivo – mas de forma integrada e com impacto mensurável. Um dos pilares atuais é o feature recognition, que permite identificar automaticamente pontos relevantes, e a partir destes colocar de forma precisa as peças em tecidos e peles. Isto reduz drasticamente o tempo de preparação e os erros humanos.
Que outras áreas tecnológicas estão a explorar?
A detecção automática de defeitos é outra aposta forte. Em vez de depender da inspecção manual, usamos visão computacional para mapear defeitos em tempo real e orientar o corte com base nessa informação. Também estamos a integrar realidade aumentada em processos de nesting interativo, o que permite aos operadores visualizar e ajustar digitalmente o posicionamento das peças em materiais de elevada reflectividade. Para este processo o nosso parceiro Zund detêm uma patente. Numa fase posterior, iremos utilizar a mesma tecnologia no picking assistido — com projecção directa sobre a bancada para indicar aos operadores que peças recolher, de que rolo, e em que sequência.
O que podemos esperar da Mind num futuro próximo?
Estamos a caminhar para um ecossistema ainda mais integrado, com forte interoperabilidade com sistemas ERP e PLM. Acreditamos que a tecnologia deve capacitar as equipas, não substituí-las – por isso investimos tanto em ferramentas visuais, intuitivas e colaborativas. Na componente de automatismo estamos a estender o nosso conceito à costura automática e em breve poderemos também utilizar algumas das nossas interfaces em tablets ou displays autonomos que facilitarão por exemplo o picking.
Como define o posicionamento da Mind nestes sectores, em Portugal e no mundo?
A nossa história está profundamente ligada à indústria portuguesa e temos orgulho nisso. Mas desde cedo compreendemos que as nossas soluções têm aplicabilidade global. Hoje, trabalhamos com parceiros em múltiplos mercados e somos reconhecidos por integrar inovação com uma compreensão profunda da realidade industrial. Não é por acaso que marcas como a Hermès, Bentley, BMW, Burberrys, só para citar algumas de maior notoriedade, são nossas clientes.
E quanto ao futuro internacional da Mind?
Vamos continuar a crescer de forma sustentável e sustentada, reforçando parcerias e levando a tecnologia portuguesa a cada vez mais empresas nacionais e internacionais. O nosso objectivo é claro: contribuir para uma indústria mais ágil, sustentável e inteligente.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Têxtil e calçado”, publicado na edição de Maio (n.º 230) da Executive Digest.




