Localizado entre Cazaquistão, Uzbequistão, Afeganistão e Irã, o Turquemenistão é um país pouco povoado, mas detentor da quarta maior reserva de gás natural do mundo — à frente dos EUA. O seu centro nevrálgico é Asgabate, capital que custou cerca de 12 mil milhões de euros para ser reconstruída como um monumento de mármore branco.
Apesar do investimento milionário, Asgabate tem uma população relativamente pequena, pouco mais de 1 milhão de habitantes segundo os censos de 2022. Esta disparidade, aliada ao caráter fechado e rigoroso do regime do país, tornou a cidade um local quase fantasma, conhecido como a “cidade dos mortos”, revela o ‘Unilad Tech’.
Originalmente fundada em 1881, Asgabate foi devastada por um terrível terremoto em 1948, que matou grande parte da população. Nos anos 2000, sob a liderança do então presidente Saparmurat Niyazov, a capital foi reconstruída como a “Cidade Branca”, com prédios revestidos exclusivamente em mármore branco, segundo a ordem do líder.
Este projeto urbanístico extravagante inclui estátuas douradas, parques e praças imensas, mas vazias. Entre as curiosidades da cidade está uma estátua de Niyazov, de 1,20 m, que gira 360 graus a cada 24 horas, além do aeroporto gigante em formato de pássaro, projetado para 14 milhões de passageiros por ano — mas que recebe apenas cerca de 100 mil anualmente.
O documentarista David Farrier, em reportagem para a série Dark Tourist da Netflix, descreveu Asgabate como uma fachada cuidadosamente controlada. Segundo ele, os visitantes são acompanhados a locais escolhidos pelos guias oficiais e não podem sair dos limites da cidade. O transporte público é praticamente inexistente, e o acesso a certas áreas, como o Palácio Presidencial com sua cúpula dourada, é proibido.
Para além do mistério político e social, Asgabate tem atraído um tipo peculiar de visitante: os “turistas sombrios”, que procuram entender o regime e a singularidade desta capital marcada pelo luxo solitário.







