Para travar a propagação do novo surto de coronavírus, mais de 100 países têm neste momento a totalidade das suas escolas encerradas, fazendo com que um milhão de alunos esteja impedido de ir às aulas, de acordo com a UNESCO. Portugal é, desde segunda-feira, apenas mais um desta enorme lista.
António Costa já disse que a epidemia terá “um pico em meados de abril e só poderá ter um termo, no melhor dos cenários, em finais de maio”. Se a decisão for de reabrir só quando a situação estiver sob controlo, não sobrará muito tempo para aulas nas escolas. O calendário letivo em vigor determina o fim do 3º período entre 4 e 9 de junho para a maioria dos anos (a exceção é o 1º ciclo, que vai até 19). Na China, só agora, quase três meses depois do início do surto, começaram a reabrir algumas escolas. Na região de Macau a suspensão já vai em dois meses e continuará até maio para os mais novos.
O Governo reavaliará a suspensão de atividades letivas a 9 de abril. Mas, perante o cenário, tudo indica que as escolas irão manter-se fechadas depois disso. Coloca-se então a questão: como vão ser as notas? Uma das hipóteses, e que, segundo o Expresso, é admitida como a mais realista por vários diretores de escolas é assumir as notas do 2º período, que vão ser dadas agora, na Páscoa, como as notas finais. Ou seja, a ponderação será feita olhando já para todo o percurso do aluno até agora, pensando se está ou não em condições de transitar. Outra possibilidade é admitir, pelo menos em alguns anos de escolaridade, passagens administrativas. Em relação às provas de aferição, que não contam para a nota e que se iniciam em maio, o mais provável é não se realizarem.
Se a suspensão de aulas se estender até maio, o presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos Escolares, Filinto Lima, afirma ao Expresso, que no caso do 9º ano não haveria grandes problemas em não se fazerem exames este ano. Já nos 11º e 12º, as implicações são muito maiores, tanto nas notas como depois no acesso ao ensino superior. Mas também aqui há soluções que podem ser pensadas. Pode, por exemplo, assumir-se que só se realizam na 2ª fase (em finais de julho). Ou até mais tarde, em setembro.








